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Recuperar vegetação nativa dá lucro, diz estudo

Pesquisa calcula que aumento do PIB do agronegócio pode chegar a 4,2 bilhões de reais por ano

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jul 2025, 23h07 • Atualizado em 1 ago 2025, 06h21
  • Se havia dúvidas em relação a importância da vegetação nativa, um estudo paulista enterra de vez a ideia de que campos produtivos devem ser totalmente desmatados. Com imagens de satélite e análise pixel a pixel, os pesquisadores Rafael Chaves, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo e Eduardo Moreira da Universidade de São Paulo mapearam áreas agrícolas e fragmentos de vegetação nativa com o objetivo de identificar oportunidades para ampliar a polinização— serviço ecossistêmico essencial para cultivos como soja, laranja e café. A partir daí quantificaram o impacto econômico da polinização na agricultura paulista.

    A pesquisa, que integra o projeto Biota Síntese, apoiado pela Fapesp, demonstra que a recuperação estratégica de vegetação nativa pode elevar o PIB agropecuário do estado em até R$ 4,2 bilhões por ano. A restauração ecológica deve ser ao redor dessas lavouras. E os resultados dependem das oportunidades.  Áreas estratégicas, como margens de rios, fragmentos e bordas de propriedades, por exemplo, se recuperadas ampliam a oferta de polinizadores e beneficiam a produtividade das lavouras.

    A presença de matas, cerrados e campos próximos aos cultivos amplia a presença e diversidade de polinizadores, sobretudo abelhas, o que aumenta a quantidade dos frutos e grãos cultivados, mas também o tamanho e qualidade. O trabalho também identificou desafios para a implementação prática do serviço, como a homogeneidade das paisagens agrícolas em regiões críticas, como o Médio Paranapanema. Nessa região, extensos monocultivos de soja em paisagens com insuficiente vegetação. A boa notícia apontada no estudo é que essa limitação poderia ser mitigada com o aumento da polinização a partir da restauração de ecossistemas e adoção de práticas amigáveis a polinizadores.

    Apenas com as lavouras de soja, laranja e café, os ganhos seriam de R$ 1,4 bilhão, R$ 1 bilhão e R$ 660 milhões anuais, respectivamente. Outros cultivos permanentes (como goiaba, abacate e manga) somariam mais R$ 280 milhões, enquanto temporários (como tomate, amendoim e feijão) responderiam por um acréscimo de R$ 820 milhões. Os números demonstram como as soluções baseadas na natureza podem beneficiar simultaneamente a agricultura, a renda dos produtores e a proteção da biodiversidade.

    A pesquisa foi escolhida entre 180 projetos para receber o Prêmio MapBiomas 2025, que reconhece e incentiva soluções em conservação, manejo sustentável e combate às mudanças climáticas. Foram mapeadas as áreas agrícolas (demanda de polinização) e de vegetação nativa (oferta de polinização) para avaliar o fluxo de polinizadores na paisagem.

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    A boa notícia é que a pesquisa já saiu do papel. “Recomendações do estudo já foram incorporadas ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc), recém-lançado pelo Governo de São Paulo”, diz Jônatas Trindade, subsecretário de Meio Ambiente.

    Leia:

    +https://veja.abril.com.br/coluna/mundo-agro/a-transformacao-sustentavel-no-agronegocio/#google_vignette

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    +https://veja.abril.com.br/economia/producao-sustentavel-no-agro-tudo-se-aproveita/

     

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