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Pastoreio sustentável é solução para conservação do Pampa

Estudos mostram o avanço de práticas que degradam a região e sugerem medidas de preservação da biodiversidade local

Por Nathan Fernandes Atualizado em 21 jul 2021, 11h13 - Publicado em 21 jul 2021, 11h08

Os constantes incêndios e desmatamentos no Pantanal e na Amazônia fazem com que as preocupações ambientais se voltem com maior ênfase para essas áreas. Mas os riscos também são grandes em outras regiões brasileiras. É o caso do Pampa, que ocupa parte do Rio Grande do Sul, da Argentina e todo o Uruguai. A pouca atenção recebida não surpreende, já que o bioma ocupa o equivalente a 2,3% do território nacional, e só foi reconhecido oficialmente pelo IBGE e o Ministério do Meio Ambiente em 2004, quando entrou para o Mapa de Biomas Brasileiros — até então, o poder público considerava a região toda como campos sulinos, incluindo os campos de altitude.

Apesar do pouco reconhecimento, em média, são destruídos 125.000 hectares de sua cobertura original anualmente. Com uma área total de 19,3 milhões de hectares, hoje os remanescentes de vegetação nativa campestre da região ocupam apenas 33,6% de todo território, ficando atrás apenas da Mata Atlântica, que tem 12% de área remanescente. 

Os dados fazem parte do estudo “A agonia do pampa”, realizado por pesquisadores da Rede Campos Sulinos, que se debruçaram sobre uma série histórica de mapas (de 1985 a 2018), divulgada pelo Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo do Brasil (MapBiomas), em 2021. 

Em outro estudo, conduzido pelo engenheiro agrônomo Rodrigo Baggio e outros pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, publicado em junho no periódico “Perspectives in Ecology and Conservation”, foi reforçada a ideia de que o pastoreio sustentável feito em reservas legais pode representar benefícios para a manutenção da biodiversidade local. 

“Dado o potencial da pastagem em alinhar a conservação da biodiversidade com os ganhos econômicos e, portanto, com os meios de subsistência rurais, a avaliação dos impactos da pastagem e outros estudos que permitam a definição de estratégias de pastagem, que promovam a conservação, são urgentemente necessários”, avaliaram os pesquisadores.

Em regiões campestres como o Pampa, é preciso que ocorram distúrbios para que a biomassa acumulada no solo seja removida. Enquanto no Cerrado, por exemplo, essa perturbação ocorre através das queimadas naturais, na região Sul as pastagens bovinas, feitas de forma sustentável — com tecnologia de manejo, delimitação de animais por área e rodízio —, são as responsáveis pela função. 

De acordo com o levantamento dos pesquisadores da Rede Campos Sulinos, o tipo de uso de solo predominante na região é o agrícola, equivalendo a 38,3% de todo o território. Já as florestas nativas cobrem 13,2%, enquanto a silvicultura (plantação de árvores como o eucalipto) ocupa 2,4%; e os corpos d’água, 9,6%. Para os pesquisadores, os números confirmam a ideia de que a expansão da agricultura, da silvicultura e das pastagens cultivadas são responsáveis pela diminuição da vegetação nativa do bioma. 

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