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Onça-pintada é resgatada de canal de hidrelétrica em Mato Grosso

O avanço da infraestrutura urbana e a consequente redução de áreas verdes diminuem o habitat natural e ampliam o risco de acidentes

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 mar 2026, 15h52 • Atualizado em 22 mar 2026, 09h54
  • O resgate de uma onça-pintada, na última quinta-feira, 19, expõe a complexidade desse tipo de operação e os desafios crescentes da convivência entre grandes predadores e áreas de infraestrutura no país. A ação mobilizou dez profissionais — seis policiais militares ambientais, dois bombeiros e dois veterinários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso — e durou cerca de oito horas, em uma usina hidrelétrica no Assentamento Beleza, no município de Juscimeira.

    Era quase fim da manhã, por volta das 11h30, quando o animal foi visto preso nos canais da hidroelétrica e a equipe do Corpo de Bombeiros acionada. Apesar de ser uma espécie com habilidade para nadar, o ambiente artificial funcionou como uma armadilha: as paredes lisas e o fluxo contínuo de água dificultaram a saída e aumentaram o risco de exaustão, estresse e até afogamento da onça-pintada. A situação exigiu cautela para evitar ferimentos tanto no animal quanto nos profissionais envolvidos. Para o felino, a presença humana representa uma ameaça, o que reforça a importância do acompanhamento de veterinários para avaliar seu estado de saúde e orientar a condução do resgate.

    Como o animal estava com hiportemia, não podia ser sedado. Imagens mostram o tamanho do estresse do bicho preso no canal (assista no final do texto). A saída foi usar um dispositivo mecânico, acionado na hora da limpeza destes dutos, que deu suporte para a onça escapar por conta própria.

    Casos como esse são frequentes em regiões com forte presença de infraestrutura energética, como o Centro-Oeste e o Norte do país. O avanço do desmatamento, sobretudo associado à agropecuária, reduz as áreas naturais disponíveis para animais de grande porte. A onça-pintada necessita de territórios extensos para sobreviver, que podem chegar ao equivalente à soma da área de 70 mil campos de futebol. A fragmentação dos habitats obriga esses animais a circularem por regiões próximas a empreendimentos humanos, onde canais, reservatórios e outras estruturas artificiais alteram rotas naturais e ampliam os riscos de acidentes. Não raro, elas acabam se deslocando até rodovias ou áreas residenciais em busca de alimento.

    Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada desempenha papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas, atuando como predador de topo. No entanto, sua população vem encolhendo nas últimas décadas em razão do desmatamento, da caça ilegal e da perda de habitat. Episódios como o de Juscimeira reforçam a necessidade de medidas que conciliem desenvolvimento e conservação, garantindo a proteção de uma espécie-chave para a biodiversidade brasileira.

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