No Pará, cultivo agroflorestal triplica investimento inicial
Projeto implanta restauração produtiva em nove hectares em Tomé-Açu e fortalece a economia rural de sete famílias
Os bons resultados da expansão do cultivo agroflorestal nos estados brasileiros aumentam os argumentos a favor da sustentabilidade como padrão no agronegócio. Além dos benefícios ambientais — como o aumento da diversidade produtiva e a contribuição para o enfrentamento das mudanças climáticas — experiências recentes têm demonstrado um fator decisivo para produtores e empreendedores: boa rentabilidade. No Pará, estado que já é referência mundial na produção agroflorestal de cacau, um grupo de agricultores familiares de Tomé-Açu conseguiu triplicar o investimento inicial já na primeira colheita.
O ganho econômico é um dos principais resultados do projeto experimental implementado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), em parceria com a Otsuka Corporation, a CI-Japão e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) no município paraense. A iniciativa tem como objetivo ampliar a restauração florestal e produtiva de áreas degradadas em parceria com agricultores familiares, ao mesmo tempo em que garante múltiplos benefícios socioeconômicos aos participantes.
Especialistas ressaltam, no entanto, que o desempenho observado em Tomé-Açu reflete um conjunto de condições específicas: o uso de arranjos agroflorestais amplamente testados na região, a presença de culturas de retorno rápido no início do sistema, o suporte técnico e financeiro na fase de implantação e um contexto ambiental favorável à alta produtividade. Por isso, a taxa elevada não deve ser interpretada como padrão, mas como um exemplo de desempenho máximo possível quando o sistema é bem planejado e acompanhado.
A produtividade em sistemas agroflorestais varia conforme as culturas e o manejo, mas alguns indicadores ajudam a contextualizar os resultados. Em sistemas agroflorestais com cacau no Pará, por exemplo, a produtividade média gira em torno de 847 quilos por hectare, acima da média nacional da cultura, estimada em cerca de 483 quilos por hectare. Em municípios com desempenho excepcional, esse número pode chegar a 1.190 quilos por hectare — um pico superior em cerca de 146% à média brasileira.
Pulo do gato
A chave do negócio é a variedade de culturas agrícolas, que garante colheitas ao longo do ano e, portanto, renda contínua. “Além disso, a diversificação das espécies cultivadas reduz os riscos e contribui significativamente para a segurança alimentar”, explica Raimundo de Castro Caetano, técnico agrícola do IPAM. Soma-se a favor a redução dos gastos com a compra de alimentos para consumo próprio, que passam a ser retirados da própria terra.
O projeto demonstrativo de Tomé-Açu implantou a restauração produtiva em nove hectares, o que fortaleceu a economia rural e contribuiu para a regularização ambiental das propriedades de sete famílias. Ao todo, foram plantadas 20.879 mudas de espécies florestais, frutíferas e alimentares, como cacau, açaí, banana, pupunha e mandioca. O custo médio de implantação e manutenção das áreas ao longo de um ano foi de R$ 2,9 mil por família. Esse valor não contabiliza o apoio fornecido pelo projeto — como o fornecimento de parte das mudas, sementes e equipamentos —, considera apenas o investimento direto dos agricultores, como a contratação de mão de obra, a aquisição de insumos e o tempo dedicado às atividades de implantação e manejo.





