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Nível do mar foi subestimado em até 1,5 metro por falhas em modelagem, aponta estudo

Levantamento indica que média global pode estar 30 cm acima do estimado; impacto pode antecipar efeitos da crise climática sobre cidades costeiras

Por Ernesto Neves 4 mar 2026, 14h26 • Atualizado em 5 mar 2026, 12h04
  • Os níveis dos oceanos em todo o mundo podem ter sido sistematicamente subestimados devido a falhas nos modelos utilizados para medições, segundo estudo publicado na revista Nature.

    A pesquisa indica que o nível médio global do mar pode estar cerca de 30 centímetros acima do que se acreditava.

    Em algumas regiões do Sul Global, como o Sudeste Asiático e o Indo Pacífico, a diferença pode chegar a 1 metro ou até 1,5 metro.

    A revisão pode alterar significativamente as projeções sobre os impactos do aquecimento global em áreas costeiras densamente povoadas.

    A elevação do nível do mar é uma das principais ameaças às comunidades litorâneas. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas estima que, até 2100, os oceanos podem subir entre 28 centímetros e 1 metro, a depender do cenário de emissões.

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    O novo estudo reuniu a análise de 385 artigos científicos revisados por pares, publicados entre 2009 e 2025, e comparou os métodos utilizados para estimar a altitude das áreas costeiras em relação ao nível do mar.

    Segundo os autores, mais de 90% desses trabalhos não utilizaram medições locais e diretas do nível do mar. Em vez disso, basearam-se em modelos globais chamados geoides, que estimam o nível médio dos oceanos a partir de cálculos relacionados à gravidade e à rotação da Terra.

    De acordo com os pesquisadores, essa abordagem pode ter levado a uma subavaliação média entre 24 e 27 centímetros, dependendo do modelo adotado. Em alguns casos extremos, as discrepâncias chegaram a vários metros.

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    “O nível do mar é influenciado por fatores adicionais, como ventos, correntes oceânicas, temperatura e salinidade da água”, afirmam os autores, ao apontar que esses elementos nem sempre são incorporados de forma adequada nos modelos globais.

    As novas estimativas indicam que, com uma elevação relativa de 1 metro, cerca de 37% a mais de áreas costeiras poderiam ficar abaixo do nível do mar, afetando até 132 milhões de pessoas.

    Para os pesquisadores, se o nível do mar em determinada ilha ou cidade costeira já for mais alto do que o considerado anteriormente, os impactos da elevação tendem a ocorrer antes do previsto.

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    O estudo também alerta para o que chama de “ponto cego interdisciplinar”. Parte significativa dos trabalhos que podem conter imprecisões foi citada nos relatórios mais recentes do IPCC, o que pode influenciar avaliações de risco e políticas públicas.

    Os autores defendem a revisão das metodologias empregadas em estudos de risco costeiro e disponibilizam um banco de dados atualizado com medições integradas de elevação costeira e níveis do mar.

    Segundo eles, a adequação das projeções é fundamental para orientar estratégias de adaptação à crise climática.

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