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Mundo bateu recorde de calor, mas Brasil esfriou em janeiro

Devido a intensidade de chuvas e nebulosidades no país, a temperatura média foi 1°C abaixo da média para a estação

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 fev 2025, 19h41 • Atualizado em 7 fev 2025, 06h11
  • Janeiro foi o mês mais quente do planeta. Em média a temperatura ficou 1,75°C mais alta, em comparação ao período pré-industrial, de acordo com o Copernicus, observatório europeu do clima. Os especialistas esperavam que depois do calor escaldante do ano passado, impulsionado pelo El Niño, fenômeno que eleva a temperatura do Oceano Pacífico, alterando as estações do planeta, 2025 seria diferente. Isso porque há a presença do evento inverso, o La Niña, que poderia baixar às temperaturas, o que não ocorreu na maior parte do mundo. Por uma confluência de fatores, inclusive o La Niña, o Brasil foi na contramão: a temperatura baixou 1°C para a média da estação.

    “Apesar do resfriamento da água do Pacífico ter sido pequeno, a proximidade com o Brasil, chegou a influenciar o clima”, diz Desirée Brant, da Nottus, empresa de meteorologia. As águas baixaram 0,7°C. Além disso, o pais teve o predomínio das Zonas de Convergência do Atlântico Sul (Zcas), fenômeno que aumenta a nebulosidade e as chuvas, principalmente nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste. Trata-se de um acúmulo de nuvens que permanecem na região durante dias.  “A nebulosidade não deixa o sol aquecer tanto a atmosfera”, explica Desirré. As precipitações foram persistentes e de grandes proporções, com enchentes, desmoronamentos e vítimas fatais. As chuvas provocaram 18 mortes em São Paulo e 25 em Minas Gerais, que foram estados que sofreram com as tempestades e ventos fortes.

    Outro fator que impulsionou a forte umidade, foi a Oscilação de Madden-Julian (OMJ), fenômeno que começa no Oceano Índico,  que funciona como um anabolizante do clima. Em geral, a influencia permanece de 30 a 60 dias. Quando ela se instala, a chuva vira tempestade. A umidade que chega da Amazônia, que vem pelos corredores aéreos, também ganha mais intensidade, assim como a brisa que sopra do oceano para o continente. Todos esses fatores, somados, ajudaram o país a ter temperaturas mais amenas, que a média do mundo, apesar dos estragos e prejuízos que as chuvas trouxeram para milhares de brasileiros.

    Leia:

    +https://veja.abril.com.br/agenda-verde/defesa-civil-emite-alerta-para-chuvas-fortes-e-queda-de-granizo-no-interior-e-litoral-de-sp

    +https://veja.abril.com.br/agenda-verde/alerta-laranja-para-chuvas-em-16-estados-confira-a-previsao-para-hoje-5

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