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Mudança climática influencia incêndios florestais no Chile e Argentina, diz estudo

Atividades humanas tornaram mais prováveis” as condições meteorológicas que acompanharam as chamas em ambos os países

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 11h25 • Atualizado em 12 fev 2026, 17h09
  • A mudança climática tornou até três vezes mais prováveis as condições quentes e secas que alimentaram os devastadores incêndios florestais no Chile e na Argentina nas últimas semanas, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira, 11, por uma rede científica. Especialistas da World Weather Attribution (WWA) afirmaram que as atividades humanas tornaram “aproximadamente entre 2,5 e 3 vezes mais prováveis” as condições meteorológicas que acompanharam as chamas.

    O Chile registrou pelo menos 21 mortos, cerca de 22.000 desabrigados e mais de 42.000 hectares de floresta devastados em meados de janeiro. Na Argentina,  mais de 60.000 hectares queimaram, 3.000 turistas foram evacuados e houve grandes impactos em áreas protegidas no início de 2026. “Verões significativamente mais secos” afetam setores de ambos os países, apontou um comunicado da WWA, que avalia o papel da mudança climática em fenômenos meteorológicos extremos.

    O estudo mostrou que as regiões afetadas “receberam entre 20% e 25% menos chuvas”, calculou a WWA. O motivo da diminuição, segundo Clair Barnes, do centro de política ambiental da Imperial College London, foi a queima de combustíveis fósseis, que emite gases de efeito estufa que aquecem o planeta.

    O fenômeno climático La Niña desempenhou um papel, embora menor, ao contribuir para as condições secas. Essa combinação entre La Niña e a mudança climática causada pelos humanos criou “uma aridez propícia para os incêndios”, resumiu Juan Antonio Rivera, do instituto público de pesquisa científica argentino Conicet.

    Outra atividade humana, como as plantações de pinheiros mais inflamáveis, também foi mencionada no documento por aumentar o risco de chamas mais intensas. Na Patagônia argentina, o fogo ameaçou especialmente os alerces, árvores abundantes no parque nacional de mesmo nome, patrimônio mundial da Unesco, e que podem viver até 3.000 anos. Segundo Rivera, é impossível avaliar o impacto preciso dos incêndios sobre eles.

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    Os cientistas também apontaram uma redução do financiamento para a gestão de incêndios e os sistemas de resposta na Argentina sob o presidente Javier Milei, que promove cortes orçamentários drásticos. “Em um governo onde se desconhece a mudança climática como consequência das atividades humanas, onde a natureza ocupa um lugar secundário, temos essas situações em que os incêndios causam mais impactos do que deveriam”, disse Rivera.

    (Com AFP)

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