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Microplástico ameaça o santuário da Ilha de Trindade, diz estudo

Estudo revela que rochas plásticas contaminam ninhos de tartarugas, ameaçando a reprodução e o futuro da fauna marinha.

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 mar 2026, 18h27 •
  • A produção excessiva e a coleta inadequada levam para os oceanos pelo menos 8 milhões de toneladas de lixo plástico por ano. Uma grande rocha de plástico recentemente identificada na Ilha da Trindade, santuário ecológico no litoral do Espírito Santo, despertou a curiosidade de pesquisadores brasileiros — e levou a uma descoberta ainda mais preocupante: na região, até os ninhos de tartarugas estão contaminados. O estudo é liderado pela geóloga Fernanda Avelar Santos, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e foi publicado neste mês na revista científica Marine Pollution Bulletin. Os resultados acendem um alerta sobre o impacto direto da poluição plástica na fauna marinha, especialmente em espécies ameaçadas, ao indicar que resíduos já fazem parte do ambiente de incubação dos ovos.

    A pesquisa identificou fragmentos de chamadas “rochas plásticas” — formações resultantes da fusão de resíduos plásticos com sedimentos naturais — no interior de ninhos de tartarugas marinhas. O material foi encontrado a até 10 centímetros de profundidade, misturado à areia onde os ovos são depositados. A presença desses fragmentos sugere que o plástico não está apenas na superfície das praias, mas já se infiltra em camadas mais profundas, potencialmente alterando características essenciais do ambiente, como temperatura e umidade, fatores críticos para o desenvolvimento dos embriões. “Podemos supor que esse plástico está sendo ingerido pela fauna — não só tartarugas, mas também peixes, aves e caranguejos”, afirma Fernanda.

    Segundo os pesquisadores, essas rochas se formam quando o plástico, especialmente oriundo de redes e cordas de pesca, é aquecido e se incorpora a elementos naturais como areia, fragmentos de rochas vulcânicas e matéria orgânica. Com o tempo, esse material endurece e passa a se comportar como uma rocha, mas continua sujeito à fragmentação, liberando microplásticos no ambiente. Esse processo transforma os plastiglomerados em uma fonte contínua de contaminação.

    Além do impacto direto nos ninhos, o estudo reforça a dimensão global da crise do plástico. Localizada a mais de mil quilômetros do continente, a Ilha da Trindade é considerada uma das áreas mais remotas do território brasileiro. Ainda assim, sofre com a chegada constante de resíduos transportados por correntes marítimas. Para os cientistas, o achado evidencia que a poluição plástica já alcança até os ecossistemas mais isolados — e agora ameaça etapas críticas do ciclo de vida de espécies marinhas.

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