Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Metade das emissões globais de CO₂ vem de apenas 32 empresas, aponta estudo

Concentração crescente da poluição em grandes produtoras de combustíveis fósseis, muitas controladas por Estados que resistem a abandonar petróleo, gás e carvão

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jan 2026, 16h10 •
  • Cerca de metade de todo o dióxido de carbono lançado na atmosfera em 2024 teve origem em apenas 32 empresas produtoras de combustíveis fósseis, segundo um novo levantamento internacional. O dado reforça a ideia de que a crise climática não é resultado difuso do consumo global, mas está cada vez mais concentrada em um grupo reduzido de grandes produtores de petróleo, gás, carvão e cimento.

    O cálculo faz parte do relatório Carbon Majors, que acompanha há mais de uma década as emissões associadas às maiores companhias do setor fóssil. A edição mais recente do estudo revela que 17 das 20 empresas que mais poluem no mundo são estatais, controladas por governos que, em sua maioria, se opuseram recentemente a propostas para acelerar o abandono dos combustíveis fósseis.

    Estatais lideram ranking global de poluição

    Entre as maiores emissoras está a Saudi Aramco, responsável sozinha por 1,7 bilhão de toneladas de CO₂ em 2024, volume comparável ao de países inteiros. Se fosse uma nação, a empresa saudita figuraria como o quinto maior emissor do planeta, atrás apenas de potências como China, Estados Unidos, Índia e Rússia.

    Entre as companhias privadas, a maior emissora é a americana ExxonMobil, cuja produção de combustíveis fósseis resultou em 610 milhões de toneladas de CO₂ no ano passado. O relatório mostra ainda que, enquanto muitas empresas controladas por investidores reduziram suas emissões, a maioria das estatais aumentou a produção e a poluição em relação ao ano anterior.

    Segundo os autores do estudo, essa concentração crescente das emissões em empresas ligadas a governos cria barreiras políticas adicionais para o enfrentamento do aquecimento global, já que decisões econômicas e interesses estratégicos nacionais se misturam às negociações climáticas.

    Continua após a publicidade

    O que a política tem a ver com o bloqueio da ação climática?

    O levantamento ganha peso político ao ser associado às negociações internacionais sobre o clima. Países que controlam grande parte dessas empresas estatais — como Arábia Saudita, Rússia, China, Irã, Emirados Árabes Unidos e Índia — rejeitaram uma proposta de eliminação progressiva dos combustíveis fósseis durante a última conferência do clima da ONU (COP), realizada em Belém, no Brasil.

    Mais de 80 países apoiaram a ideia de estabelecer uma rota clara para abandonar petróleo, gás e carvão, mas a resistência dos grandes produtores impediu que o compromisso fosse incluído no texto final da cúpula. Para analistas, o estudo ajuda a explicar por que o debate climático avança lentamente, mesmo diante do agravamento dos eventos extremos.

    Como os dados estão sendo usados para responsabilizar poluidores?

    Além de mapear as emissões atuais, a base Carbon Majors reúne dados históricos desde 1845 e aponta que 178 produtores industriais foram responsáveis por cerca de 70% de todo o CO₂ emitido pelo setor fóssil ao longo desse período. Um terço dessas emissões históricas pode ser atribuído a apenas 22 empresas.

    Continua após a publicidade

    Essas informações vêm sendo usadas não só em estudos científicos, inclusive pesquisas que relacionam grandes emissoras a ondas de calor extremas, como também em ações judiciais e leis climáticas, que buscam responsabilizar empresas por danos causados pelo aquecimento global, como enchentes, secas e temperaturas recordes.

    Para especialistas, o avanço desse tipo de base de dados transforma números abstratos em instrumentos concretos de cobrança, ao conectar diretamente a produção de combustíveis fósseis aos impactos climáticos já sentidos por populações em diferentes partes do mundo.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).