Marcha pelo clima defende fim do uso de petróleo e pressiona por ação na COP30
Reunidos em Belém, manifestantes criticam exploração da margem equatorial na Amazônia
Milhares de pessoas participam da Marcha pelo Clima, na manhã deste sábado, 15, em Belém. Os manifestantes se concentraram na frente do Mercado São Braz, um dos pontos turísticos da capital paraense e percorrem ruas da cidade. O plano inicial era se dirigirem ao Parque da Cidade, onde ocorre a COP30, mas a Polícia Militar desviou o percurso para evitar confusões e tentativas de invasão, como a que ocorreu na última terça-feira. O policiamento no entorno do pavilhão da conferência foi reforçado com homens do exército e grades de contenção.
Entre as demandas da marcha, estão o fim da exploração e do uso dos combustíveis fósseis, a preservação da Amazônia e uma ação mais urgente e enérgica por parte das autoridades dos países reunidos em torno da conferência do clima da ONU. Pautas não relacionadas com a questão climática, como a situação na Palestina e o fim da escala 6×1 também foram incorporados.
Em discurso, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva destacou o fato de a COP estar sendo realizada em um país democrático após três edições em ditaduras, “aonde as manifestações eram feitas apenas dentro do espaço da ONU”.
Sem citar a disposição do governo em explorar petróleo na margem equatorial na foz do Rio Amazonas, objeto de muitas críticas e palavras de ordem dos manifestantes, Marina tratou de reafirmar o compromisso em realizar a transição energética para fontes llimpas. “Em que pese nossos desafios e contradições, temos de fazer o mapa do caminho para o fim da dependência de carvão, de petróleo e de gás”, afirmou.
Uma das ações que chamam mais atenção é o funeral dos combustíveis fósseis que levou três caixões para simbolizar a morte do carvão, do gás e do petróleo. Pessoas fantasiadas de onça abriam o cortejo, seguidos de esqueletos de 3 metros de altura. Atrás, vinha um globo terrestre e outras alegorias simbolizando a transição energética e formas não poluentes de geração de eletricidade.

“Essa é a mensagem que a COP precisa ouvir. Os cientistas já disseram que não tem como resolver a questão climática se não acabarmos com os combustíveis fósseis. É física, não dá pra negociar” disse João Talocchi, um dos organizadores do ato.
Uma das principais metas da COP é fazer o mapa do caminho para abandono definitivo de combustíveis que emitem carbono e são responsáveis pelo aumento da temperatura na Terra. A pauta, ainda passa por processo de intensas negociações.
“Mais de 60 países já demonstraram alguma intenção em integrarem essa jornada. Quem não vier vai ficar no meio do caminho. Existem estudos que revelam que o Brasil pode ser a quarta potência do mundo se abraçar a transição energética. Ficar correndo atrás de petróleo na Amazônia não faz qualquer sentido”, diz Talocchi criticando a iniciativa do governo em explorar petróleo na Margem Equatorial.






