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Guarujá concentra o maior volume de lixo retirado dos manguezais da Baixada Santista

O Programa Mar Sem Lixo, do governo do Estado de São Paulo, realizou neste mês a primeira ação de limpeza dos manguezais com ajuda de pescadores

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 fev 2026, 19h05 • Atualizado em 25 fev 2026, 19h15
  • A primeira limpeza do ano em manguezais da Baixada Santista, promovida pelo governo do Estado de São Paulo, trouxe um alerta: o mangue — ambiente essencial para a vida marinha e para o equilíbrio climático — ainda é tratado como lixeira. Na região do Guarujá, foram retiradas 7 toneladas de plástico, redes abandonadas e todo tipo de rejeito urbano em apenas 2 quilômetros de área. O descarte irregular de resíduos continua avançando sobre um ecossistema que deveria ser protegido.

    Manguezais são áreas de transição entre terra e mar, altamente produtivas e fundamentais para o ciclo de vida de inúmeras espécies. Funcionam como berçários naturais da biodiversidade marinha, sustentando cadeias alimentares que abastecem tanto a pesca artesanal quanto a comercial. Quando acumulam lixo, perdem capacidade de regeneração, têm a fauna impactada e deixam de prestar serviços ambientais essenciais.

    O mutirão realizado neste mês reuniu 70 pescadores e marcou o início das ações de 2026 durante o período do defeso do camarão, que segue até 30 de abril. A mobilização integra o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Mar Sem Lixo, coordenado pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo. Criado em 2022, o programa já retirou 118 toneladas de resíduos do ambiente marinho em seis municípios do litoral paulista. Desse total, 80 toneladas vieram de áreas de mangue — 68% do volume geral. O Guarujá lidera esse ranking, com 62 toneladas recolhidas, o equivalente a 77,5% de todo o material retirado de manguezais pelo programa.

    O modelo combina conservação ambiental e geração de renda. Pescadores cadastrados podem entregar resíduos recolhidos no mar e nos manguezais e receber pagamento pelo serviço ambiental prestado. Atualmente, mais de 300 pescadores participam da iniciativa, que já destinou cerca de R$ 971 mil em PSA. “Por meio deste programa estamos remunerando pescadores para retirarem o lixo do mar, gerando impacto positivo tanto social quanto ambiental”, afirma Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo.

    A estratégia reforça uma mudança de paradigma: transformar comunidades tradicionais em protagonistas da conservação. Ao mesmo tempo em que remove resíduos, a política pública evidencia um problema estrutural — a persistente cultura do descarte inadequado — e aponta para uma resposta baseada em corresponsabilidade entre poder público, trabalhadores do mar e consumidores.

     

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