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Europa aquece o dobro do planeta e já redesenha sua agricultura; COP30 testa papel do Brasil no clima global

Continente sofre perdas agrícolas bilionárias e redesenha sua produção; COP30 em Belém coloca Brasil no centro das negociações sobre clima e agricultura

Por Ernesto Neves 25 ago 2025, 14h01 •
  • O continente europeu se tornou o epicentro do aquecimento global. Dados recentes mostram que a região aquece duas vezes mais rápido que a média mundial, com aumento de temperatura de 2,3 °C desde a era pré-industrial. contra 1,4 °C em escala global.

    Esse salto coloca em xeque não apenas a saúde das populações e a infraestrutura urbana, mas também um dos pilares econômicos e culturais da Europa: a agricultura.

    Estudos apontam que os agricultores europeus perderam até € 11 bilhões apenas em 2022 devido a ondas de calor, secas e enchentes. A produção de cereais caiu 12% em comparação à média da década anterior, e culturas emblemáticas, como o vinho, enfrentam deslocamento geográfico.

    Países tradicionalmente produtores, como França, Espanha e Itália, já registram declínio na qualidade e no rendimento, enquanto áreas mais ao norte, como Alemanha e Reino Unido, começam a atrair novas plantações.

    Esse movimento está redesenhando o mapa agrícola europeu. Regiões antes consideradas frias, como a Escandinávia, vêm experimentando safras inéditas, enquanto o sul do continente sofre com desertificação progressiva.

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    A mudança traz consequências econômicas globais, já que a União Europeia é um dos maiores blocos exportadores de alimentos. A instabilidade na oferta pode pressionar preços internacionais e aumentar disputas comerciais em torno da segurança alimentar.

    O impacto climático já chegou ao centro do debate político europeu. Governos enfrentam pressões simultâneas: garantir subsídios para agricultores, acelerar a transição energética e responder à crescente insatisfação social em meio a crises de abastecimento.

    O dilema entre competitividade econômica e políticas ambientais ambiciosas gera divisões internas e pode influenciar o posicionamento europeu nas negociações multilaterais.

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    O que está em jogo na COP30

    A Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), marcada para 2025 em Belém do Pará, será o espaço em que esses dilemas ganharão escala global.

    Espera-se que a Europa leve à mesa propostas para mecanismos de compensação e regulação do mercado de carbono, mas o tom das negociações dependerá do grau de consenso interno entre os países-membros.

    O encontro também servirá como ponto de avaliação do cumprimento do Acordo de Paris, com o chamado Global Stocktake 2, que vai medir quanto cada país avançou ou retrocedeu em seus compromissos.

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    Para o Brasil, a COP30 é estratégica. Sediada em plena Amazônia, a conferência colocará o país como anfitrião em um momento em que o desmatamento voltou a cair e políticas de transição energética ganham destaque.

    O governo busca projetar liderança diplomática, atraindo investimentos internacionais para a bioeconomia e consolidando a imagem de mediador entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

    O desafio, no entanto, será equilibrar esse protagonismo com a pressão doméstica por crescimento econômico baseado em commodities e infraestrutura de grande impacto ambiental.

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    Um futuro em disputa

    A aceleração da crise climática na Europa antecipa cenários que outras regiões do mundo podem enfrentar em breve.

    Secas prolongadas, perdas agrícolas e deslocamentos produtivos tendem a se multiplicar, redesenhando não apenas cadeias globais de alimentos, mas também a geopolítica.

    A COP30, nesse sentido, é mais que uma conferência: é o palco de um embate entre modelos de desenvolvimento e a chance de definir caminhos para um equilíbrio entre economia e clima.

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