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Estudo aponta que dois terços do aquecimento global são causados ​​pelos 10% mais ricos

Artigo na revista Nature Climate Change demonstra impacto que os emissores ricos desempenham na alteração do clima global

Por Ernesto Neves 7 Maio 2025, 12h27 • Atualizado em 9 Maio 2025, 13h13
  • Um novo estudo publicado na revista científica Nature Climate Change aponta que os 10% mais ricos da população mundial foram responsáveis por cerca de dois terços do aquecimento global desde 1990, aprofundando os impactos da crise climática, como secas e ondas de calor, especialmente nas regiões mais pobres do planeta.

    Embora já se soubesse que os grupos de renda mais alta emitem volumes desproporcionais de gases de efeito estufa, esta é a primeira pesquisa a quantificar como essa desigualdade se traduz em responsabilidade direta pelo colapso climático.

    Os resultados fortalecem argumentos em favor da taxação sobre grandes fortunas e do financiamento climático internacional.

    Segundo os autores, as pessoas mais ricas emitem mais carbono por meio de seu consumo e investimentos, enquanto os países mais pobres — muitos situados próximos ao Equador — sofrem de forma desproporcional os efeitos de temperaturas extremas e eventos climáticos severos.

    Para chegar aos resultados, os pesquisadores integraram dados sobre desigualdade de emissões baseadas na riqueza a modelos climáticos.

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    Com isso, puderam estimar quanto o aquecimento global entre 1990 e 2019 se deve especificamente aos segmentos mais ricos.

    Ao simular cenários nos quais as emissões dos 10%, 1% e 0,1% mais ricos foram subtraídas, os cientistas conseguiram estimar a contribuição desses grupos para a atual crise climática.

    A conclusão é contundente: em 2020, a temperatura média global estava 0,61°C acima dos níveis de 1990 — e cerca de 65% desse aumento pode ser atribuído às emissões dos 10% mais ricos.

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    Esse grupo inclui todas as pessoas com renda anual superior a 43 000 euros (cerca de R$ 280 000), o que abrange mais da metade dos trabalhadores em tempo integral no Reino Unido.

    A concentração de responsabilidade aumenta nos estratos mais altos: o 1% mais rico — com renda anual acima de € 147 000 euros (960 000 reais) — foi responsável por 20% do aquecimento, enquanto os 0,1% mais ricos — cerca de 800 mil pessoas que ganham mais de € 537 000 por ano (3,5 milhões de reais) — responderam por 8%.

    “Esses 10% mais ricos contribuíram, em média, 6,5 vezes mais para o aquecimento do que o restante da população. No caso do 1% e do 0,1% mais ricos, as contribuições foram 20 e 76 vezes maiores, respectivamente”, aponta o artigo publicado na revista Nature Climate Change.

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    Por outro lado, se todos tivessem emitido como os 10%, 1% ou 0,1% mais ricos, o aquecimento teria chegado a 2,9°C, 6,7°C ou 12,2°C — níveis absolutamente insustentáveis.”

    Os autores do estudo afirmam esperar que os dados sirvam como base para intervenções políticas que reconheçam a responsabilidade desproporcional dos mais ricos no colapso climático e incentivem maior aceitação social de medidas robustas de mitigação.

    A pesquisa chega em um momento de crescente resistência de países desenvolvidos — como os Estados Unidos e, mais recentemente, o Reino Unido e outras nações europeias — ao financiamento climático internacional.

    Esse recurso é considerado fundamental para que países em desenvolvimento consigam se adaptar às mudanças já em curso e mitigar seus piores efeitos.

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