Edital oferece R$ 2,5 milhões para estudos sobre mudanças climáticas
A ação tem como foco explorar os impactos do aquecimento global na micro e macro economia, além da adaptação ao novo normal
A crescente influência das mudanças climáticas sobre a economia tem levado governos, empresas e investidores a rever estratégias e modelos de planejamento. Eventos extremos, riscos para a produção agrícola, impactos sobre infraestrutura e efeitos sobre inflação e produtividade já fazem parte do cálculo econômico em diferentes países. Nesse contexto, ampliar o conhecimento aplicado sobre a relação entre economia e clima tornou-se um passo fundamental para orientar políticas públicas e decisões de investimento. É com esse objetivo que o Instituto Clima e Sociedade (iCS) lançará, no dia 9 de março, o edital Clima na Economia: Integrando a Questão Climática à Agenda Econômica, voltado ao financiamento de pesquisas que conectem diretamente produção científica e tomada de decisão no Brasil.
A iniciativa, conduzida pelo Hub de Economia e Clima, prevê a destinação de até R$ 2,5 milhões para apoiar projetos de pesquisa aplicada capazes de produzir evidências, diagnósticos, ferramentas analíticas, modelos econômicos e recomendações práticas para gestores públicos, empresas e investidores. Cada projeto poderá receber até R$ 500 mil, com o objetivo de estimular estudos que gerem conhecimento utilizável em políticas públicas, estratégias empresariais e planejamento econômico. As propostas deverão ser submetidas exclusivamente por pessoas jurídicas por meio do site do instituto.
A criação do edital responde a uma lacuna importante entre a produção acadêmica e as decisões econômicas concretas. “A agenda climática já impacta decisões econômicas diariamente, mas ainda é preciso fortalecer a produção de evidências aplicadas que dialoguem diretamente com formuladores de políticas públicas, gestores e investidores”, afirma Sarah Irffi, coordenadora técnica do Hub de Economia e Clima. Para ela, aproximar a pesquisa econômica da prática é essencial para oferecer subsídios qualificados a decisões que influenciam o desenvolvimento do país no longo prazo.
O edital prevê quatro linhas temáticas principais. A primeira trata da adaptação às mudanças climáticas, incluindo estudos sobre gestão hídrica, impactos na saúde, efeitos fiscais decorrentes de perdas de arrecadação e avaliação econômica de riscos em setores como agropecuária e geração de energia. A segunda aborda a relação entre macroeconomia e clima, com pesquisas sobre estabilidade financeira diante de riscos climáticos, rastreamento de gastos públicos, mecanismos fiscais para lidar com eventos extremos e impactos de choques climáticos sobre inflação e atividade econômica.
A terceira linha é dedicada à microeconomia e clima, analisando como fatores climáticos influenciam decisões de empresas, produtores e gestores, incluindo investimentos, custos, inovação e produtividade em setores mais expostos à transição para uma economia de baixo carbono. Já a quarta área concentra-se em finanças públicas e mudanças climáticas, avaliando instrumentos fiscais, tributários e orçamentários capazes de orientar políticas climáticas, como financiamento climático em estados e municípios, revisão de subsídios e incorporação de riscos ambientais no planejamento fiscal.
Ao incentivar pesquisas com aplicação direta, o edital busca fortalecer a base de conhecimento necessária para alinhar desenvolvimento econômico e ação climática no Brasil. Em um cenário no qual os impactos do clima se tornam cada vez mais presentes nas contas públicas e nas decisões empresariais, iniciativas desse tipo ajudam a transformar informação científica em ferramentas concretas de planejamento e gestão econômica.
Formato
O processo de seleção ocorrerá em duas etapas. A primeira fase, com envio inicial das propostas, ficará aberta entre 9 de março e 8 de abril de 2026, até as 16h (horário de Brasília). Os projetos pré-selecionados seguirão para uma segunda etapa, prevista para começar em 29 de maio, quando os candidatos deverão apresentar documentação complementar e a versão detalhada da pesquisa.
Quem pode participar
Podem participar instituições brasileiras de pesquisa, universidades públicas, universidades privadas sem fins lucrativos cuja missão inclua produção científica ou tecnológica, além de organizações da sociedade civil com experiência comprovada em pesquisa aplicada.





