Donald Trump assina ordem para agilizar mineração em águas profundas
A ação do presidente dos EUA faz parte do esforço para reforçar o fornecimento de recursos essenciais à economia de alta tecnologia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump assinou uma ordem executiva que determina a aceleração da autorização para projetos de mineração em águas profundas.
A medida visa impulsionar a indústria emergente e reduzir a dependência norte-americana das cadeias de fornecimento de minerais essenciais dominadas pela China.
A nova diretriz federal tem como objetivo agilizar processos de licenciamento, intensificar o mapeamento do fundo do mar e identificar novas oportunidades de exploração mineral.
A ação integra uma estratégia mais ampla da administração Trump para ampliar o acesso dos EUA a minerais estratégicos, como níquel, cobalto, cobre e manganês — insumos fundamentais para tecnologias de energia limpa, equipamentos de defesa e componentes eletrônicos.
O presidente já havia invocado poderes de guerra para estimular a produção interna de minerais e busca acordos com países como Ucrânia e República Democrática do Congo para garantir o abastecimento dessas matérias-primas.
A iniciativa representa também um desafio direto à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), sediada na Jamaica, responsável por regulamentar a mineração em águas internacionais.
Embora 170 países, incluindo Brasil, China e União Europeia, integrem o órgão, os Estados Unidos não fazem parte. A ISA ainda não autorizou a mineração comercial no alto-mar, em meio a impasses sobre a definição de regras ambientais, royalties e tributos.
A área de maior interesse é a Zona Clarion-Clipperton, no Oceano Pacífico, entre o Havaí e o México. A região abriga depósitos metálicos no fundo do mar — nódulos polimetálicos — que concentram altos teores de minerais estratégicos.
China e Rússia já operam programas de exploração nessa zona sob contratos de pesquisa concedidos pela ISA, mesmo sem um regime internacional definitivo.
Segundo o texto da ordem executiva, as agências federais norte-americanas deverão não apenas acelerar a concessão de licenças para atividades de exploração e extração mineral, mas também elaborar um relatório com potenciais áreas de interesse na plataforma continental externa dos EUA e desenvolver um plano de mapeamento de zonas prioritárias.
O Departamento de Defesa foi instruído a avaliar a inclusão de minerais de origem submarina no estoque estratégico nacional.
A decisão provocou reações imediatas. Após a revelação dos planos norte-americanos pelo Financial Times no mês passado, o governo chinês alertou contra ações unilaterais no fundo do mar.
“A área internacional dos fundos marinhos e seus recursos são patrimônio comum da humanidade”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da China. “Nenhum país deve ignorar a ISA ou o direito internacional para autorizar unilateralmente atividades de exploração e desenvolvimento nessa região.”





