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Documento suprimido pelo governo britânico aponta migração em massa e risco de guerra nuclear ligada ao clima

Versão integral de estudo com apoio da inteligência britânica prevê pressão migratória, instabilidade política e conflito armado

Por Ernesto Neves 28 jan 2026, 13h05 • Atualizado em 28 jan 2026, 13h29
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    Um relatório confidencial preparado com apoio da inteligência britânica alertou que o avanço das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade pode provocar migrações em massa rumo à Europa, aprofundar tensões geopolíticas e até elevar o risco de conflito nuclear na Ásia.

    O documento, no entanto, foi barrado pelo governo do Reino Unido e só veio a público de forma parcial após um pedido baseado na lei de acesso à informação.

    Intitulado Global Biodiversity Loss, Ecosystem Collapse and National Security (Perda Global de Biodiversidade, Colapso dos Ecossistemas e Segurança Nacional), o estudo contou com contribuições do Joint Intelligence Committee, órgão que assessora o primeiro-ministro e coordena as atividades do MI5 e do MI6.

    Inicialmente previsto para divulgação no outono europeu de 2025, o relatório foi retido pelo gabinete do primeiro-ministro sob a justificativa de que seu tom seria “excessivamente negativo”.

    A versão oficial divulgada ao público reconhece apenas a “possibilidade realista” de que o declínio de florestas e o desaparecimento de rios alimentados por geleiras provoquem competição global por alimentos a partir da década de 2030.

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    No entanto, uma versão integral, obtida pelo jornal The Times, apresenta um cenário consideravelmente mais grave.

    Segundo o texto completo, a degradação acelerada de florestas tropicais, como as da Bacia do Congo, e o esgotamento de rios alimentados pelas geleiras do Himalaia podem forçar milhões de pessoas a deixar suas regiões de origem, com parte significativa desse fluxo migratório direcionado à Europa.

    O relatório aponta que o Reino Unido, por abrigar uma grande diáspora sul-asiática, poderia se tornar um destino preferencial, o que aumentaria a pressão sobre serviços públicos e infraestrutura, além de alimentar movimentos populistas e polarização política.

    O documento também alerta para riscos diretos à segurança internacional. A redução do volume dos rios himalaicos, dos quais dependem cerca de dois bilhões de pessoas na Índia, China e Paquistão, poderia “quase certamente” intensificar disputas regionais entre potências nucleares. O relatório menciona explicitamente a possibilidade de escalada militar entre esses países, num contexto de competição por água e alimentos.

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    A avaliação britânica dialoga com alertas já feitos por organismos multilaterais.

    O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) vem apontando que o degelo acelerado do Himalaia ameaça a segurança hídrica do sul da Ásia, enquanto relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente indicam que a perda de biodiversidade avança em ritmo comparável ao das grandes extinções da história do planeta.

    Além da Ásia, o estudo destaca que florestas boreais no Canadá e na Rússia e geleiras do Himalaia podem ultrapassar pontos de não-retorno já por volta de 2030. A partir desses limiares, os ecossistemas continuariam a se degradar mesmo com esforços humanos de conservação, comprometendo a produção de alimentos em escala global.

    No plano doméstico, os analistas alertam que o Reino Unido, que importa cerca de 40% dos alimentos que consome e aproximadamente 20% da ração animal da América do Sul, estaria vulnerável a choques externos.

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    Para reduzir riscos, o relatório menciona a necessidade de investimentos caros em cadeias de suprimento, novas variedades agrícolas e alternativas como carne cultivada em laboratório.

    O texto também levanta a hipótese de aumento de ações classificadas como ecoextremismo no território britânico e de envolvimento da Otan em disputas por áreas agrícolas estratégicas, especialmente em regiões como Rússia e Ucrânia, já marcadas por instabilidade geopolítica.

    Uma fonte envolvida na elaboração do estudo afirmou ao The Times que o governo estaria “escondendo da população a real dimensão dos riscos climáticos”.

    “Precisamos de um debate honesto sobre como essas ameaças afetam nossa prosperidade e o que deve ser feito para mitigá-las”, disse.

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    Em resposta, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido afirmou que a natureza é fundamental para a segurança e a resiliência do país e que as conclusões do relatório orientarão políticas futuras.

    O órgão ressaltou ainda que o Reino Unido produz cerca de 65% dos alimentos que consome e que o comércio internacional garante a segurança do abastecimento diante de eventos climáticos extremos ou crises sanitárias.

     

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