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Crise ambiental impulsiona descontentamento e está entre as causas da onda de protestos no Irã

País enfrenta um dos piores períodos de seca em décadas, com grande parte do país se aproximando do colapso completo

Por Ernesto Neves 16 jan 2026, 08h04 • Atualizado em 16 jan 2026, 08h38
  • A onda de protestos que toma Teerã e outras cidades iranianas, marcada por milhares de prisões e centenas de mortos, reflete não apenas descontentamento político e econômico, mas também crises ambientais profundas.

    Eventos climáticos extremos têm aumentado o descontentamento popular, agravado a recessão econômica e deteriorado a qualidade de vida dos iranianos, gerando maior pressão sobre as autoridades e contribuindo para a repressão que resultou em detenções em massa.

    Seca extrema e escassez de água

    O Irã enfrenta um dos piores períodos de seca em décadas, com grande parte do país se aproximando do estágio conhecido como “Day Zero”, quando sistemas de abastecimento de água se esgotam.

    Em Teerã, os reservatórios que abastecem a capital estão críticos e há relatos de cortes diários de água e racionamento.

    Essa crise hídrica, resultado de mudanças climáticas aceleradas e décadas de má gestão dos recursos hídricos, tem sido uma das faíscas das mobilizações populares.

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    A falta de água afeta diretamente a vida cotidiana, desde o consumo básico até a agricultura e pequenos negócios, e se transformou em um símbolo do fracasso governamental em responder às necessidades da população.

    Poluição do ar e saúde pública

    Em Teerã, a poluição do ar volta a atingir níveis extremamente prejudiciais à saúde, colocando a cidade entre as mais poluídas do mundo em vários momentos do último ano.

    Isso agrava problemas respiratórios, cardiovasculares e outros riscos sanitários e intensifica a frustração pública com a incapacidade do Estado de controlar a degradação ambiental.

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    O smog constante e a contaminação também tornaram as condições de vida insustentáveis para muitos habitantes, que veem essa situação como um reflexo de prioridades políticas equivocadas e de falta de transparência.

    Vista do rio Lavasan, antes considerado um dos mais abundantes em água na região de Teerã e que secou quase completamente, assim como outros lagos e rios que atingem níveis críticos devido à escassez hídrica na capital, em 11 de novembro de 2025
    Vista do rio Lavasan, antes considerado um dos mais abundantes em água na região de Teerã e que secou quase completamente, assim como outros lagos e rios que atingem níveis críticos devido à escassez hídrica na capital, em 11 de novembro de 2025 (Getty/Getty Images)

    Repressão a ativistas ambientais

    A ligação entre meio ambiente e repressão não é apenas indireta. Cientistas, ambientalistas e defensores da água e do meio ambiente já foram presos pelo Estado por contestarem políticas governamentais ou chamarem a atenção para a gravidade da crise ecológica.

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    Essas detenções geralmente ocorrem sob acusações de espionagem ou “ameaças à segurança nacional”, estratégias frequentemente usadas por autoridades para silenciar críticas.

    A repressão se estende a vozes que tentam abordar a crise hídrica, a poluição e outras questões ambientais, fortalecendo o sentimento de injustiça e mobilizando mais gente contra o regime.

    Conexão com outros fatores de insatisfação

    A crise ambiental se conecta a problemas econômicos, inflacionários e políticos, formando um ciclo de demandas que agora se traduz em protestos e confrontos com as forças de segurança.

    Esses protestos, que começaram por motivos diversos, foram energizados pelo fato de que muitos iranianos veem sua saúde, sustento e futuro diretamente ameaçados por decisões ambientais negligentes.

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