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China e Europa puxam recorde trilionário em energia limpa enquanto EUA desaceleram

Aportes globais somaram US$ 2,3 trilhões em 2025, mas crescimento desacelera

Por Ernesto Neves 27 jan 2026, 14h01 • Atualizado em 27 jan 2026, 14h37
  • O investimento global na transição energética atingiu um recorde de US$ 2,3 trilhões em 2025, alta de 8% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da BloombergNEF.

    O número desafia previsões mais pessimistas diante da instabilidade política internacional, do aumento dos juros e da desaceleração econômica em diversas regiões.

    Ainda assim, especialistas alertam que o volume de recursos segue insuficiente para colocar o mundo na trajetória necessária para alcançar a neutralidade de carbono até meados do século.

    Do total investido no ano passado, cerca de US$ 1,2 trilhão foi destinado a energias renováveis e redes elétricas, setores considerados centrais para atender à crescente demanda por eletricidade, impulsionada especialmente por data centers e aplicações de inteligência artificial.

    O transporte eletrificado, que inclui veículos elétricos e infraestrutura de recarga, atraiu outros US$ 893 bilhões, com crescimento concentrado sobretudo na Ásia e na Europa.

    Os números reforçam uma tendência já identificada por organismos multilaterais como a Agência Internacional de Energia (IEA), que vêm apontando a eletrificação da economia como o principal vetor da descarbonização na década atual.

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    Ao mesmo tempo, o avanço não ocorre de forma homogênea nem linear.

    A região Ásia-Pacífico respondeu por quase metade de todo o investimento global em tecnologias de transição energética em 2025, puxada por China, Índia e Japão.

    A União Europeia investiu US$ 455 bilhões, aumento de 18% em relação a 2024, em linha com suas metas climáticas e com os esforços para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados após a guerra da Ucrânia.

    Nos Estados Unidos, o crescimento foi mais modesto.

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    Sob o governo de Donald Trump, que voltou a reduzir o apoio federal a diversas tecnologias limpas e a impor obstáculos regulatórios à expansão das renováveis, o país ainda assim registrou US$ 378 bilhões em investimentos verdes, alta de 3,5% em comparação ao ano anterior.

    Analistas observam que parte desse desempenho se deve a projetos e incentivos já contratados em anos anteriores, além de iniciativas estaduais e privadas.

    O avanço das energias limpas coincidiu, em 2025, com uma queda global nos investimentos em combustíveis fósseis.

    Os aportes em petróleo, gás e geração térmica diminuíram, puxados principalmente pela retração nos gastos com exploração e produção de óleo e gás. Foi a primeira queda desde 2020, sinalizando uma inflexão relevante, embora ainda distante do ritmo de declínio considerado compatível com as metas climáticas do Acordo de Paris.

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    Apesar do recorde agregado, os dados também revelam sinais de alerta. O investimento global em energias renováveis caiu 9,5% em relação ao ano anterior, refletindo sobretudo mudanças regulatórias na China, maior mercado do mundo.

    A reforma das regras no país reduziu o ritmo de novos projetos e levou à primeira queda nos investimentos chineses em transição energética desde 2013, ainda que Pequim continue liderando o ranking global de aportes.

    Outros segmentos estratégicos também perderam fôlego. O investimento em hidrogênio de baixo carbono recuou, assim como os aportes em energia nuclear, apesar do interesse crescente de empresas de tecnologia em fontes capazes de fornecer eletricidade constante para data centers.

    A desaceleração sugere que o entusiasmo político e corporativo ainda não se traduziu em modelos de negócio suficientemente robustos para sustentar a expansão dessas tecnologias em larga escala.

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    O ritmo mais lento fica evidente quando se observa a evolução histórica. O crescimento de 8% registrado em 2025 foi o primeiro avanço de um dígito desde 2019, segundo a BloombergNEF.

    Para cumprir os compromissos climáticos e evitar os piores impactos do aquecimento global, o investimento anual em transição energética precisaria mais que dobrar, alcançando cerca de US$ 5,2 trilhões por ano até o fim da década.

    O contraste entre o recorde absoluto e a insuficiência estrutural dos investimentos resume o dilema da transição energética em 2026.

    O capital segue fluindo, e a transformação do sistema energético é real, mas a velocidade permanece aquém da urgência imposta pela crise climática.

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