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Cerrado experimenta a pior seca em 700 anos

Estudo de pesquisadores da USP publicado na Nature aponta para extremo climático histórico no Centro-Oeste do Brasil

Por Ernesto Neves 2 jul 2024, 07h02

O Cerrado brasileiro enfrenta condições inéditas de estiagem, segundo estudo publicado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) na respeitada revista científica Nature. 

De acordo com o levantamento, trata-se da pior seca em 700 anos, pelo menos.

Os pesquisadores afirmam que o extremo climático tem como causa principal o aquecimento do Centro-Oeste, cujas temperaturas médias subiram 1 °C a mais  do que a média global.

Esse superaquecimento faz com que temperatura próxima ao solo seja tão quente que evapora boa parte da água da chuva, antes mesmo que ela se infiltre no terreno. 

Esse fenômeno traz graves consequências ao equilíbrio ambiental do Planalto Central.

Paraíso ameaçado: incêndios devastam Pantanal com intensidade inédita

Entre as mudanças em curso estão alterações no padrão das chuva, que agora estão menos frequentes, implicando ainda em menor reposição nos aquíferos, o que já afeta também o nível dos rios.

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Em 2023, a área de superfície de água natural no Cerrado foi de 696 mil hectares. Isso é 53% a menos do que em 1985, segundo dados do MapBiomas.

Outro dado que chamou atenção é que o bioma hoje possui 1,6 milhão de hectares cobertos por água.

Trata-se do o maior percentual dos últimos 39 anos. Mas há um porém: apenas 37% estão em áreas naturais, enquanto 51% são regiões alagadas por hidrelétricas.

Segundo o estudo, a seca sem precedentes na história é causada é causada pelo aumento da temperatura induzida pela atividade humana na emissão de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2) e o metano.

O estudo foi realizado através de análises químicas de estalagmites presentes na Caverna da Onça, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais.

Tratam-se de formações rochosas que se desenvolvem no solo de cavernas ou grutas e tem como composição minerais depositados pelas águas que pingam do teto.

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Essas rochas são sensíveis às condições ambientais durante a formação.

E registram em sua composição informações sobre a temperatura, umidade e química da água que goteja dentro da gruta ao longo dos anos.

A partir dessas informações, o estudo reconstruir a variabilidade do clima ao longo dos últimos 700  anos.

A equipe de pesquisa combinou dados dessas formações com análises de elementos químicos presentes no local ainda hoje.

Por ser uma gruta aberta no fundo de um cânion com 200 metros de profundidade, a Caverna da Onça sofre influência da variação de temperatura externa, o que não acontece em outras formações rochosas observadas pelos cientistas.

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