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Celebridades e cientistas pedem que Lula lidere proteção da Antártica contra pesca predatória

Coalizão internacional alerta para riscos do colapso do krill, base da cadeia alimentar antártica

Por Ernesto Neves 24 set 2025, 12h38 •
  • Às margens da Assembleia-Geral da ONU e da Semana do Clima de Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu uma carta aberta assinada por personalidades internacionais e cientistas pedindo que o Brasil assuma a liderança global na defesa da Antártica.

    O documento é assinado pela coalizão Antarctic Avengers, grupo liderado pela oceanógrafa americana Sylvia Earle e que inclui o ator britânico Benedict Cumberbatch, além de nomes brasileiros como o ator Klebber Toledo e os pesquisadores Ronaldo Christofoletti (Unifesp) e Jefferson Simões (UFRGS).

    A carta pede medidas urgentes contra a expansão da pesca industrial de krill, pequeno crustáceo que sustenta baleias, pinguins e focas e que tem papel crucial na regulação climática, ao capturar carbono. O apelo ocorre em meio ao avanço da frota pesqueira de países como Noruega e China, que transformam o krill em ração para salmões, suplementos de ômega-3 e até alimentos para pets.

    Quatro medidas cobradas do Brasil

    O grupo pede que o Brasil pressione, na próxima reunião da CCAMLR (Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos), em outubro na Austrália, e durante sua presidência da COP30, a adoção de quatro ações:

    1. Fechar o Oceano Austral à pesca industrial de krill;

    2. Criar uma Área Marinha Protegida na Península Antártica, proposta por Argentina e Chile;

    3. Reformar a CCAMLR, paralisada por disputas políticas;

    4. Proteger ao menos 30% das águas antárticas até 2030, meta alinhada aos compromissos globais de biodiversidade.

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    “Se agirmos agora, a Antártica e sua vida selvagem podem se recuperar. Precisamos protegê-la da exploração antes que seja tarde demais”, disse Sylvia Earle em comunicado.

    Conexão com o Brasil

    A preocupação vai além da preservação da biodiversidade. A pesca predatória e o derretimento acelerado do gelo impactam diretamente o ciclo de vida das baleias-jubarte, que se alimentam de krill na Antártica e migram todos os anos para o litoral brasileiro. Sem alimento, há risco para a reprodução dos animais e para o turismo de observação, setor que movimenta cerca de R$ 140 milhões por temporada em estados como Bahia, Espírito Santo e São Paulo.

    Estudos também mostram que o derretimento recorde da Antártica — que registrou mínimos históricos de gelo em 2023 e 2024 — afeta o regime de chuvas no Brasil e pode agravar enchentes como as registradas no Sul do país neste ano. Relatório da Fundação Grupo Boticário e da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica aponta que 83% dos municípios brasileiros já foram atingidos por eventos extremos de chuva, com perdas superiores a R$ 145 bilhões nas últimas três décadas.

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    O krill depende do gelo marinho para se reproduzir, mas o aquecimento global acelera o degelo. Menos gelo significa menos alimento para as baleias e desequilíbrio em toda a cadeia alimentar. Cientistas alertam ainda que a perda de massa de gelo compromete correntes oceânicas e acelera a elevação do nível do mar, ameaçando cidades costeiras em todo o planeta.

    Para especialistas, o Brasil tem um papel estratégico nesse cenário. Além de manter o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) e a base Comandante Ferraz, o país é signatário do Tratado da Antártica e membro da CCAMLR. Agora, com a presidência da COP30 em Belém, em 2025, Lula é visto como peça-chave para destravar acordos paralisados e fortalecer a governança ambiental internacional.

    “Sem krill, não há baleias. Sem baleias, não há migração nem turismo. Proteger a Antártica é também proteger o Brasil”, resume Ronaldo Christofoletti, da Unifesp.

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