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Casal é flagrado com 700 filhotes de tartarugas no Rio Grande do Sul

Os animais foram comprados na cidade catarinense de Itajaí e estavam socados sob os bancos dianteiros do carro

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 fev 2026, 17h01 • Atualizado em 12 fev 2026, 17h09
  • O comércio ilegal de animais silvestres é amplamente classificado por organismos internacionais como uma crise global de grandes proporções. Trata-se de uma das maiores atividades criminosas do mundo, ao lado do tráfico de drogas, armas e pessoas. Além de movimentar 2 bilhões de dólares por ano no mundo, provoca perdas irreversíveis à biodiversidade, alimenta redes organizadas e amplia o risco de disseminação de doenças. No Brasil, o problema assume contornos recorrentes. Os flagrantes se repetem: dezenas — às vezes centenas — de filhotes quase sufocados dentro de malas, caixas ou compartimentos improvisados em carros e ônibus. Na última quarta-feira, no Rio Grande do Sul, a Polícia Rodoviária Federal interceptou um Renault Kardian, com placas de Curitiba, e encontrou, sob os bancos dianteiros, três sacos contendo 687 tartarugas-tigre-d’água.

    No veículo estavam um casal — ele de 43 anos, ela de 45 — ambos de Itajaí (SC). Segundo a polícia, a mulher afirmou ter adquirido os animais na região onde mora. No Rio Grande do Sul, a comercialização desse tipo de espécie é proibida desde 2015. Desde 1998, o comércio de animias é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). O artigo 29 estabelece que matar, capturar, transportar, vender, expor à venda ou manter em cativeiro espécimes da fauna silvestre sem autorização tem pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa, podendo ser agravada em casos que envolvam espécies ameaçadas de extinção ou circunstâncias qualificadas.

    Especialistas e órgãos ambientais consideram a lei branda diante da dimensão do dano ambiental e do volume financeiro envolvido. Há projetos de lei em discussão no Congresso Nacional, que  buscam endurecer as sanções, elevando as penas e ampliando o enquadramento em casos que envolvem  organização criminosa ou maus-tratos. Em 2024, mais de 22 mil animais silvestres foram apreendidos no Brasil, segundo dados do Ibama. Isso equivale a uma média de 61 animais resgatados por dia, o que representa uma fração mínima do comércio clandestino. No Brasil, país com uma das mais ricas biodiversidades do mundo, 38 milhões de animais são traficados por ano, segundo dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). 

    As aves figuram entre as principais vítimas, seguidas por répteis e pequenos mamíferos. A taxa de mortalidade é elevada: a maioria dos animias transportados morrem antes mesmo de chegar ao destino final, seja por asfixia, desidratação ou estresse extremo.O tráfico de fauna não é apenas um crime contra indivíduos isolados, mas um ataque direto ao equilíbrio ecológico. Ao retirar espécies de seus habitats naturais, rompem-se cadeias alimentares, reduzem-se populações reprodutivas e intensifica-se o risco de extinção. Em um país que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, o impacto é particularmente sensível — e cumulativo.

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