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Calor extremo reduz tempo para atividades diárias, aponta estudo global

Combinação de mais de 70 anos de dados climáticos globais mostra que o avanço do aquecimento está colocando a saúde em risco

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 13h48 • Atualizado em 12 mar 2026, 15h33
  • O avanço do aquecimento global começa a afetar um conceito fundamental para a vida no planeta: a habitabilidade humana. Segundo um novo estudo publicado na revista científica Environmental Research: Health, o aumento das temperaturas e da umidade já está criando condições em que atividades cotidianas ao ar livre se tornam fisicamente perigosas, mesmo para pessoas saudáveis. A pesquisa foi liderada por cientistas da The Nature Conservancy e contou com a participação de  integrantes de um pool de instituições de ponta como as Universidades de Sydney, Duke, California, Los Angeles, Irvine e do Estado do Arizona, além da NASA Jet Propulsion Laboratory e o Intituto de Tecnologia da California.

    Os pesquisadores combinaram mais de 70 anos de dados climáticos globais (1950–2024) com um modelo fisiológico que simula como o corpo humano reage ao calor durante atividades físicas em diferentes idades. O objetivo foi identificar quando as condições ambientais ultrapassam a capacidade do organismo de dissipar calor — um limite que define quando um ambiente deixa de ser plenamente habitável para atividades humanas normais. A conclusão é de que 35% da população mundial vive hoje em regiões onde o calor extremo já limita de forma significativa a realização segura de atividades físicas, sobretudo durante os períodos mais quentes do ano. Em determinadas condições, até tarefas leves — como subir escadas, caminhar ou realizar atividades domésticas — podem representar risco à saúde, mesmo quando realizadas à sombra.

    Idosos correm mais risco com superaquecimento

    Os efeitos são mais severos entre idosos. Em média, pessoas com mais de 65 anos enfrentam atualmente cerca de 900 horas por ano em condições de calor que limitam atividades ao ar livre, contra aproximadamente 600 horas em 1950. Entre adultos mais jovens, o período anual de risco passou de cerca de 25 horas para 50 horas no mesmo intervalo. Em algumas regiões tropicais e subtropicais, especialmente no sul e sudoeste da Ásia, o calor pode restringir atividades externas de idosos por entre um quarto e um terço do ano.

    Para o principal autor do estudo, Luke Parsons, o fenômeno mostra que as mudanças climáticas já estão alterando aspectos básicos da vida cotidiana.
    A mudança climática não está apenas tornando o calor mais intenso — ela está reduzindo o tempo em que as pessoas podem realizar suas atividades diárias com segurança”, afirmou. “Em alguns lugares, já estamos vendo condições em que até atividades mínimas podem levar o corpo humano além de seus limites.”

    Os pesquisadores observam que o problema não está apenas nas temperaturas elevadas, mas também na capacidade das sociedades de lidar com o calor, que depende de infraestrutura, acesso a refrigeração, planejamento urbano e proteção a trabalhadores expostos ao sol. Com a temperatura média global já cerca de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, os autores alertam que as áreas do planeta onde o calor limita a vida cotidiana tendem a se expandir nas próximas décadas — um processo que pode redefinir gradualmente os limites da habitabilidade humana em diversas regiões do mundo.

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