Brasil vive salto nos dias de risco para grávidas devido às temperaturas extremas
Entre 2020 e 2024, houve uma explosão no número de dias de alto risco para as gestantes brasileiras
A mudança climática está ampliando significativamente o número de dias de calor extremo, representando uma ameaça crescente à saúde das gestantes, revela uma análise da Climate Central.
De 2020 a 2024, a quantidade de dias perigosos para grávidas dobrou em quase 90% dos países e territórios, e em 63% das cidades, em comparação com um cenário sem mudanças climáticas.
Os maiores aumentos nos dias de risco térmico para gestantes devido à mudança climática nos últimos cinco anos ocorreram principalmente em regiões em desenvolvimento, com acesso limitado a serviços de saúde.
As áreas mais afetadas incluem o Caribe, partes da América Central e do Sul, Ilhas do Pacífico, Sudeste Asiático e África Subsaariana.
No Brasil, a média anual de dias com risco térmico elevado chega a 78 dias no Acre, o caso mais crítico, um aumento de 72% causado pelo efeito estufa. Em segundo lugar vem o Amazonas, com 72 dias, e Roraima, com 71 (veja a lista completa abaixo)
Também o Sudeste vem sendo gravemente afetado, de acordo com o levantamento. Minas Gerais soma 47, com incremento de 70%. E o Rio de Janeiro, 38 dias de alto risco, um salto de 74%.
Chama atenção ainda a situação do Rio Grande do Sul, com 45 dias, cenário idêntico ao do Ceará.
A pesquisa, que analisou as temperaturas de 247 países e 940 cidades, identificou um aumento significativo nos chamados “dias de risco térmico gestacional”, aqueles em que as temperaturas máximas ultrapassam 95% das médias históricas locais, um indicador associado ao aumento de partos prematuros e complicações maternas.
Entre as conclusões do estudo, destaca-se que a mudança climática dobrou os dias de risco térmico em 222 dos 247 países analisados, com países em desenvolvimento, frequentemente com acesso limitado à saúde, sendo os mais afetados.
Além disso, o estudo mostra que, em algumas regiões, como o Caribe e a África Subsaariana, todos os dias de risco térmico registrados nos últimos cinco anos foram causados pelas mudanças climáticas.
Pesquisas indicam que o calor extremo durante a gestação está ligado ao aumento de complicações como hipertensão, diabetes gestacional, natimortos e partos prematuros, afetando gravemente a saúde materna e infantil.
Veja abaixo a lista de estados brasileiros afetados e a média anual de dias perigosos para gestantes
| Acre | 78 |
| Amazonas | 72 |
| Roraima | 71 |
| Rondônia | 69 |
| Mato Grosso do Sul | 67 |
| Mato Grosso | 64 |
| Pará | 59 |
| São Paulo | 56 |
| Alagoas | 55 |
| Amapá | 54 |
| Bahia | 52 |
| Sergipe | 52 |
| Paraná | 51 |
| Tocantins | 51 |
| Goiás | 47 |
| Maranhão | 47 |
| Minas Gerais | 47 |
| Piauí | 47 |
| Ceará | 45 |
| Rio Grande do Sul | 45 |
| Pernambuco | 44 |
| Paraíba | 42 |
| Espírito Santo | 41 |
| Rio Grande do Norte | 41 |
| Santa Catarina | 40 |
| Rio de Janeiro | 38 |
| Distrito Federal | 37 |





