Amazon e Google veem emissões de carbono dispararem com expansão da IA e data centers
Relatórios de sustentabilidade mostram alta de até 18% nas emissões em 2025 enquanto crescimento da IA pressiona consumo de energia
O avanço acelerado da inteligência artificial está pressionando as metas climáticas das maiores empresas de tecnologia do mundo, segundo novos relatórios de sustentabilidade divulgados por Amazon e Alphabet, controladora do Google.
Em 2025, ambas registraram aumento significativo de suas emissões de gases de efeito estufa, em meio à expansão contínua de data centers e ao crescimento da demanda energética associada a serviços de IA.
A Amazon informou que suas emissões subiram 16% em relação a 2024, alcançando cerca de 81 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente.
O resultado foi impulsionado principalmente pela construção de novos data centers e pelo uso de combustíveis na logística de entregas.
A empresa afirmou que mantém o compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2040, mas reconheceu que a trajetória depende de mudanças estruturais na matriz energética.
No caso do Google, as chamadas emissões “baseadas em ambição” cresceram 18% em 2025, enquanto as emissões diretas de suas operações avançaram 20%.
O aumento está associado à expansão de sua infraestrutura de data centers, que tem se intensificado para sustentar produtos de inteligência artificial generativa e serviços em nuvem.
O consumo de eletricidade da companhia também aumentou 37% no período, ainda que parte das emissões ligadas à energia comprada tenha caído devido ao uso de fontes limpas.
O movimento das duas empresas reflete um desafio mais amplo enfrentado pelas chamadas hyperscalers, que incluem também Microsoft e Meta: equilibrar a expansão de infraestrutura digital com compromissos climáticos de longo prazo.
No caso da Microsoft, a companhia já admitiu pressões internas para rever parte de suas metas de energia limpa, diante da necessidade de ampliar sua capacidade de data centers.
Embora todas as empresas mantenham oficialmente suas metas de neutralidade de carbono, o crescimento das emissões sugere que a curva de descarbonização está sendo tensionada pela velocidade da adoção da IA.
Parte relevante do impacto também vem da cadeia de suprimentos, com aumento na produção de hardware, concreto e aço usados na construção de centros de processamento.
Especialistas em clima e tecnologia apontam que a expansão dos data centers já começa a ter efeitos sistêmicos no setor energético, com aumento da demanda por eletricidade e maior dependência de fontes fósseis em determinadas regiões.
Em alguns casos, empresas têm recorrido até a turbinas a gás para garantir fornecimento contínuo de energia.
As companhias, por sua vez, argumentam que o avanço da IA exige flexibilidade nas metas ambientais e afirmam seguir investindo em eficiência energética e contratos de energia renovável.
Ainda assim, a distância entre ambição e execução se amplia no curto prazo, em um cenário em que a infraestrutura digital cresce mais rápido do que a capacidade de descarbonização das redes elétricas.







