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Água vira arma estratégica na guerra do Irã e pode ser decisiva no conflito

Ataques a usinas de dessalinização e crise hídrica histórica colocam o abastecimento de água no centro da guerra no Oriente Médio

Por Ernesto Neves 11 mar 2026, 15h13 • Atualizado em 11 mar 2026, 15h22
  • Enquanto o mundo acompanha a disparada do petróleo provocada pela guerra envolvendo o Irã, um outro recurso vital começa a aparecer como peça central do conflito: a água.

    Nos últimos dias, ataques e ameaças contra usinas de dessalinização, instalações que transformam água do mar em água potável, acenderam o alerta em todo o Golfo Pérsico.

    Essas plantas são responsáveis por grande parte do abastecimento da região e, em alguns países, respondem por quase toda a água consumida pela população.

    Analistas dizem que, se essas infraestruturas forem destruídas em larga escala, o impacto pode ser imediato. Grandes cidades poderiam enfrentar falta de água em poucos dias.

    A guerra chega às usinas de água

    Segundo reportagens internacionais, instalações de dessalinização já foram atingidas ou ameaçadas durante a escalada militar.

    Um ataque de drone atribuído ao Irã teria causado danos a uma planta de dessalinização no Bahrein, enquanto outras instalações na região passaram a ser tratadas como possíveis alvos estratégicos.

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    Essas instalações são particularmente vulneráveis porque costumam ficar na costa, próximas a refinarias e usinas de energia, infraestruturas frequentemente visadas em conflitos.

    Além disso, muitas plantas de dessalinização dependem de eletricidade gerada nas mesmas instalações industriais. Um ataque a uma usina elétrica pode interromper simultaneamente a produção de energia e de água.

    Especialistas afirmam que, por causa dessa interdependência, a destruição de uma única planta pode provocar um efeito cascata no abastecimento urbano.

    Iranianos rezam juntos pela chuva no Túmulo Imamzadeh Saleh, em Teerã, que enfrenta a pior seca em 60 anos, em 14 de novembro de 2025
    Iranianos rezam juntos pela chuva no Túmulo Imamzadeh Saleh, em Teerã, que enfrenta a pior seca em 60 anos, em 14 de novembro de 2025 (Getty/Getty Images)
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    Uma região que depende do mar para sobreviver

    A vulnerabilidade da água no conflito tem origem na própria geografia do Oriente Médio.

    O Golfo Pérsico está entre as regiões mais secas do planeta. A escassez de rios e chuvas levou vários países a depender quase totalmente da dessalinização.

    Em alguns casos, a dependência é extrema. Kuwait obtém cerca de 90% da água potável por dessalinização, Omã, 86%, Arábia Saudita, 70% e Emirados Árabes Unidos, 42%. Isso significa que as usinas de água são, na prática, infraestrutura crítica de sobrevivência.

    Analistas de segurança apontam que, se várias dessas plantas forem atingidas ao mesmo tempo, cidades inteiras poderiam se tornar temporariamente inabitáveis.

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    O próprio Irã enfrenta uma crise hídrica

    A ironia é que o próprio Irã sofre com uma crise hídrica profunda.

    O país atravessa anos consecutivos de seca severa, agravada por mudanças climáticas, má gestão de recursos hídricos e superexploração de aquíferos.

    Reservatórios estão em níveis historicamente baixos, rios estão secando e mais de 70% dos aquíferos do país já foram explorados além da capacidade natural de reposição.

    A escassez já provocou protestos em várias cidades nos últimos anos, com moradores reclamando da falta de água e eletricidade.

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    Esse cenário faz com que a infraestrutura hídrica iraniana também seja extremamente vulnerável durante a guerra.

    Água, clima e geopolítica

    O conflito atual expõe um problema estrutural que especialistas discutem há anos: a crescente interseção entre escassez de água, mudanças climáticas e segurança internacional.

    O Oriente Médio está entre as regiões mais afetadas pelo aquecimento global. O aumento das temperaturas e a redução das chuvas intensificam secas, elevam o consumo de água e pressionam governos a investir em soluções tecnológicas como a dessalinização.

    Essas soluções, porém, criam novas dependências. As usinas são caras, consomem muita energia e podem se tornar alvos militares em momentos de crise.

    Por isso, especialistas alertam que a água pode se transformar em um dos principais fatores de instabilidade na região nas próximas décadas.

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