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2025 é o terceiro ano mais quente da história e confirma aceleração do aquecimento global

Mesmo sob efeito do La Niña, planeta registra calor extremo, ultrapassa média de 1,5 °C do Acordo de Paris e intensifica eventos climáticos letais

Por Ernesto Neves 14 jan 2026, 10h26 • Atualizado em 14 jan 2026, 10h44
  • O ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado desde o início das medições modernas, ficando atrás apenas de 2024, o mais quente da série histórica, e de 2023.

    A constatação foi divulgada nesta quarta-feira por três instituições independentes de referência internacional: o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, o Met Office do Reino Unido e a organização científica Berkeley Earth.

    O dado chama atenção não apenas pela posição no ranking, mas pelo contexto climático em que ocorreu.

    Diferentemente de 2023 e 2024, anos influenciados pelo El Niño, 2025 foi marcado por uma fase de La Niña no Pacífico equatorial, fenômeno que costuma exercer efeito de resfriamento sobre as temperaturas globais.

    Ainda assim, o planeta manteve-se em patamares historicamente elevados de calor.

    Para cientistas do clima, o resultado reforça uma conclusão cada vez mais inequívoca: o aquecimento causado pelas atividades humanas já é tão intenso que supera a variabilidade natural do sistema climático.

    “O aquecimento de origem humana está agora claramente sobrepondo as oscilações naturais de curto prazo”, afirmou Daniel Swain, climatologista da Universidade da Califórnia, em análise semelhante à publicada recentemente pelo New York Times e pelo Guardian.

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    Aquecimento acelera e surpreende cientistas

    Pesquisadores da Berkeley Earth classificaram como “extremo” o pico de aquecimento observado entre 2023 e 2025, sugerindo uma aceleração do ritmo do aquecimento global.

    Entre os fatores apontados estão a redução de nuvens baixas, que ajudam a refletir a radiação solar, e a queda da poluição por enxofre no transporte marítimo, resultado de novas regras ambientais que, paradoxalmente, eliminaram um efeito colateral de resfriamento temporário.

    Segundo os dados divulgados, a temperatura média global em 2025 ficou entre 1,41 °C e 1,47 °C acima do nível pré-industrial (1850–1900), dependendo da base de dados considerada.

    Mais preocupante ainda é o dado divulgado pelo Copernicus: pela primeira vez, a média de aquecimento em três anos ultrapassou o limite de 1,5 °C estabelecido no Acordo de Paris, firmado em 2015.

    Mantida a trajetória atual de emissões, o mundo pode ultrapassar de forma permanente esse patamar já em 2029, mais de uma década antes do previsto quando o acordo foi assinado.

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    Especialistas ressaltam que o limite de 1,5 °C não representa um “ponto de ruptura” climático imediato, mas sim uma referência política e científica para reduzir riscos severos e irreversíveis, como o colapso de ecossistemas e o agravamento de eventos extremos.

    Impactos extremos se multiplicam

    Em 2025, ao menos metade das áreas terrestres do planeta enfrentou um número acima da média de dias com estresse térmico, quando a sensação térmica supera 32 °C.

    Na Groenlândia, algumas regiões registraram temperaturas mais de 12 °C acima do normal em maio, acelerando o derretimento do gelo a uma taxa 12 vezes maior que o habitual em um único dia.

    O excesso de calor também intensificou eventos extremos. Incêndios florestais em Los Angeles, em janeiro, deixaram mais de 400 mortos e causaram perdas seguradas estimadas em US$ 40 bilhões.

    Segundo o grupo World Weather Attribution (WWA), as condições climáticas que favoreceram os incêndios tornaram-se 35% mais prováveis devido às mudanças climáticas.

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    O ano também foi marcado por recordes negativos na criosfera. A Antártida teve o ano mais quente já registrado, enquanto o Ártico enfrentou seu segundo ano mais quente.

    Em fevereiro, a extensão global do gelo marinho atingiu o menor nível da história, de acordo com o Copernicus.

    Chuvas, enchentes e ciclones fora de padrão

    Embora a precipitação global média tenha ficado próxima do normal, o dado mascara uma sucessão de eventos extremos. No Texas, enchentes repentinas em julho mataram mais de 135 pessoas.

    No Sul e Sudeste da Ásia, inundações e ciclones fora de época deixaram milhares de mortos, em episódios comparáveis às tragédias climáticas de 2022 no Paquistão.

    No Caribe, o furacão Melissa surpreendeu especialistas ao atingir rapidamente a categoria 5, com rajadas de vento recordes de 406 km/h.

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    O ciclone causou prejuízos equivalentes a 41% do PIB da Jamaica e matou mais de 100 pessoas em quatro países.

    Segundo o WWA, o aquecimento global tornou as temperaturas oceânicas que alimentaram o furacão seis vezes mais prováveis.

    Ciência sob pressão política

    A divulgação dos dados ocorre em meio a um enfraquecimento do papel dos Estados Unidos na governança climática global.

    A atual administração americana promoveu cortes em agências científicas, retirou relatórios oficiais do ar e anunciou a saída tanto da Convenção do Clima da ONU quanto do IPCC, órgão científico que fundamenta políticas climáticas no mundo todo.

    Trajetória perigosa

    Apesar da expansão acelerada das energias renováveis, as emissões globais de gases de efeito estufa seguem em níveis recordes. O resultado é que o mundo continua em uma trajetória climática muito ruim.

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