Salário mínimo
Em 2006, acordo costurado pelo governo Lula com as centrais sindicais fixou a regra para o reajuste do salário mínimo: correção da inflação, medida pelo INPC do ano anterior, mais crescimento econômico, medido pela variação do PIB de dois anos antes. É esta conta que embasou a proposta do governo para aumentar seu valor dos atuais 510 reais para 545 reais. Mas as centrais mudaram de ideia. O motivo: dois anos atrás, o PIB do Brasil não cresceu nada - encolheu 0,2%. Os sindicalistas quiseram antecipar parte do reajuste que seria dado em 2012, com base na forte recuperação econômica de 2010, e defenderam propostas de 580 e 560 reais. A oposição foi além e pediu 600 reais, ecoando promessa feita pelo tucano José Serra durante a campanha presidencial. No Congresso, o governo fez valer sua maioria e obteve uma vantagem ainda mais folgada do que se previa. De quebra, passou um dispositivo que permite ao Executivo definir o piso nos próximos anos sem consultar os parlamentares, contra o que a oposição recorreu ao STF. Resta, de todas as formas, a bomba-relógio para 2012: a valer a regra atual, a forte aceleração econômica de 2010 e a alta dos preços em 2011 elevarão os atuais 545 reais para 616 reais. Para que a conta feche, o governo tem de iniciar já um profundo corte de gastos. Cada real do mínimo corresponde a um impacto de 286 milhões de reais nas contas públicas.







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