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Franklin Lima: Fé para animar o ouvinte

Deputado federal do PP de Minas Gerais explica o projeto de lei que obriga as rádios públicas a tocar canções religiosas

Seu projeto regula a programação de rádios públicas. É o tema mais relevante para o momento? Para mim, é. Quem vai definir a urgência do projeto é a Casa.

O que propõe o projeto? Hoje, nas rádios públicas, como a da Câmara e a do Senado, temos uma programação de entrevistas, debates e música. Mas parte das pessoas não se vê representada nela. É o caso da turma religiosa. Os cantores evangélicos e católicos gostariam de ter suas canções veiculadas ali.

Isso não fere o princípio do Estado laico? Não. País laico não quer dizer país sem religião. É um país que atende o público em geral — ateu, católico, evangélico, umbandista, budista.

Como chegou a essa ideia? Observei que algumas canções nas rádios públicas passam uma mensagem meio depressiva. A canção triste é normal na música brasileira, eu sei. Mas a canção religiosa incentiva, anima, traz uma mensagem bonita para a população. Certa vez ouvi no rádio uma canção religiosa da Clara Nunes que falava dos filhos de Gandhi. Ali surgiu a ideia.

O senhor só escuta música religiosa? Não. Gosto de música brega, forró, MPB, rock e sertanejo universitário. Para saber o que se passa no mundo, tem de ouvir de tudo. Eu ouço inclusive músicas que fazem apologia da cachaça, da droga e da separação.

No universo religioso, quem é seu preferido? Adoro a Aline Barros.

A propósito, o senhor conhece a música da Aline Barros que pede o dízimo — aquela cuja letra diz: “Jesus se agrada / da ofertinha da criançada / Tirilim, tim, tim / A oferta vai caindo dentro da caixinha”? Claro. É para crianças. Ela não entraria nas rádios públicas, porque o público dessas emissoras não é infantil. O estilo das rádios é mais calmo — pop rock nacional, MPB ou bossa nova. O que eu quero é que, dentro desse estilo, também se atenda um público diferenciado.

Publicado em VEJA de 18 de outubro de 2017, edição nº 2552