Gilmar Mendes diz que não vai se declarar impedido no caso Eike

Diante do pedido de suspeição da PGR, o ministro do Supremo afirmou que já negou habeas corpus ao empresário e não houve questionamento

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou claro que não vai se declarar impedido de julgar o habeas corpus do empresário Eike Batista, apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter encaminhado uma arguição de impedimento à presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, pedindo que ele seja afastado do caso, no qual revogou a prisão preventiva de Eike.

Nos bastidores, Gilmar Mendes sustenta que não vai recuar, diante da alegação da PGR de que o interessado no habeas corpus é um empresário que contrata o escritório de advocacia no qual trabalha sua esposa, Guiomar Feitosa Mendes, e isso levaria à “incompatibilidade para funcionar no processo em questão”.

A explicação tem sido distribuída pela assessoria de imprensa do ministro, que também preside o TSE. “O HC 143.247 não tem como advogado o escritório Sérgio Bermudes. Não há impedimento para atuação do ministro Gilmar Mendes nos termos do artigo 252 do Código de Processo Penal. Cabe lembrar que no início de abril o ministro Gilmar negou pedido de soltura do empresário Eike Batista (HC 141.478) e, na oportunidade, não houve questionamento sobre sua atuação no caso”, diz uma nota distribuída à imprensa.

Os ministros do Supremo evitaram comentar o assunto nesta terça-feira, diante da tensão trazida. Um deles, reservadamente, desconversou, dizendo que é comum haver pedidos de suspeição e impedimento – mas calou ao ser perguntado sobre a seriedade do caso em específico, o primeiro em que a própria PGR pede a declaração de impedimento de um ministro do STF.

A exceção foi o ministro Marco Aurélio Mello, que comentou publicamente o pedido da PGR e disse que se trata de um “caso sério”, um episódio “indesejável” e “ruim” para o Judiciário. “Estou há 38 anos no judiciário e nunca enfrentei uma exceção de suspeição, de impedimento de colega. É constrangedor e ruim para o Judiciário como um todo”, disse Marco Aurélio Mello, antes da solenidade de posse de Tarcisio Vieira como ministro titular do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“A questão é tão séria que o relator é quem estiver na Presidência do tribunal, não é nem distribuído (o processo). É muito sério”, comentou Marco Aurélio. “Vamos esperar os próximos capítulos da novela. Por enquanto eu estou só na plateia”, completou o ministro.

Levantamento feito pela reportagem mostra que não houve, em nenhuma das 44 arguições de impedimento apresentada contra ministros do Supremo, uma decisão da Corte de afastar um único ministro. Sequer os ministros relatores dos pedidos chegaram a decidir, em um primeiro momento, levar os casos a julgamento no plenário. Isso só aconteceu em cinco casos, após a rejeição inicial e a apresentação de recursos pelos autores das ações – mesmo assim, o plenário manteve a rejeição.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. Total falta de ética deste ministro, tem que ser impedido, não tem mais condições de permanecer no STF. Estas atitudes denigrem a instituição que pertence ao Brasil. As pessoas alí passam a instituição continua, e tem que ter gente a altura para representá-la, infelizmente não é o que vemos hoje nem neste senhor e em alguns dos seus pares.

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  2. O GilMAL não quer seus protegidos presos !!!!!!!!!!

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  3. Quasar Pensante

    Incrível que nem a mulher dele concorda com esse veio fedoh rento o único que concorda é o Reinaldo Azedo que o considera como seu deus supremo. kkkkkkkkkkkkkkkk

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  4. Pior do que esse vigarista e canalha do gilmar mendes aquele que faz a duplinha conivente com a calhorda da advogada da guiomar que defende o assaltante de cofre de públicoEike que a paga com o dinheiro assaltado dos cofres públicos, são os colegas calados que de certa forma não reprova essa conduta digna de um grande pilantra.

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  5. Só a legalidade não basta. A Moralidade também faz parte da equação que busque a justiça como resultado.

    No caso do HC do Dirceu, o Mendes e também o Toffoli – aliás cadê ele Janot? – esbarram no “fator moralidade” para julgar o caso.

    Estamos falando de Justiça, algo “um pouco maior” que Legalidade.

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