Sono

Sesta, aos poucos, ganha espaço no Brasil

Além de empresas, spas e restaurantes criam espaços destinados à prática

Natalia Cuminale

A sesta, prática comum na Europa, está ganhando, aos poucos, força no mundo corporativo brasileiro. O hábito de cochilar durante o dia, normalmente após o almoço, pode ser uma medida para empresas que desejem funcionários mais motivados e ligados no trabalho. Especialistas consultados por VEJA são unânimes em apoiar a prática. 

Não é de hoje que a literatura médica conhece os benefícios da sesta. Segundo estudos científicos, a soneca é capaz de melhorar o desempenho intelectual e a concentração. Atenta a isso, desde 2007, a empresa farmacêutica Novo Nordisk criou uma sala decorada com almofadas, pufes e futtons para que seus funcionários relaxem. “Ações relacionadas à qualidade de vida do funcionário têm ganhado espaço cada vez maior nas empresas”, diz Fabiana Cymrot, gerente de recursos humanos da farmacêutica.

Terceirização — O exemplo da Nordisk, porém, ainda é exceção. Mas, para suprir a falta desses ambientes nas empresas brasileiras, surge uma onda de espaços ‘terceirizados’ de sono. No centro do Rio de Janeiro, os cariocas podem contar com um 'pacote cochilo' no Pausadamente, um tipo de spa urbano. Por 18 reais, é possível cochilar por 20 minutos em uma sala com recursos que ajudam a indução do sono. “A sala possui tratamento acústico, tem recursos como música e iluminação, que ajudam com a indução do sono. Além disso, os clientes dormem em uma poltrona reclinável, com design criado pela NASA”, explica Mahine Dórea, a proprietária do spa.

Segundo ela, a inclinação da poltrona projeta o joelho para cima e ajuda o retorno do fluxo sanguíneo. A ideia foi tão bem recebida que ela já tem planos de ampliar. “Todo mundo pede um lugar mais próximo do trabalho. Nós temos um perfil de clientes muito eclético. Os que compram o pacote cochilo adotam isso como hábito saudável em sua vida”, diz.

Em São Paulo, o restaurante Bello Bello coloca uma sala à disposição dos clientes. Após o horário de almoço, eles têm a opção de subir as escadas e cochilar antes de voltar para o escritório. “Temos um espaço aconchegante que foi criado para um descanso rápido. Alguns não aderiram porque têm um pouco de vergonha. A partir do momento que a barreira é quebrada e ele utiliza, o cliente passa a usar com maior frequência”, explica Salete Ebone, proprietária.

Regras — Há regras para ter uma boa sesta: é preciso estabelecer o tempo limite de descanso, para não atrapalhar o sono da noite. “O cochilo entre 15 e 30 minutos pode ajudar. Não pode durar mais do que isso para evitarmos a inércia do sono, quando a pessoa acorda com sensação de canseira, mais lenta, como se o corpo ainda estivesse dormindo”, explica Stella Tavares, neurofisiologista do Hospital Israelita Albert Einstein e autora do livro Durma Bem, Viva Melhor.  



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