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Panamericano confirma rombo de 4,3 bilhões de reais

Em balanço divulgado nesta quarta-feira, banco confirma que novas irregularidades no valor de 1,8 bilhão de reais elevaram as perdas totais em 2010

Fachada do banco PanAmericano

Prejuízo consolidado do banco em dezembro de 2010 somou 133,61 milhões de reais (Claudio Gatti)

A atual administração do Banco Panamericano divulgou na madrugada desta quarta-feira um rombo da ordem de 4,3 bilhões de reais em seu balanço do ano passado. As perdas iniciais foram recalculadas com a ajuda de consultores externos, que encontraram mais 1,8 bilhão de reais até então ignorados, o que elevou o total. A divulgação das Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFP) da instituição financeira acabou, enfim, por confirmar os rumores de que as perdas poderiam ultrapassar 4 bilhões de reais.

As irregularidades, segundo o balanço, dividem-se da seguinte maneira: 1,6 bilhão de reais referentes à carteira de crédito insubsistente; 1,7 bilhão de reais relativos a passivos não registrados de operações de cessão liquidados/referenciados; 500 milhões de reais provenientes de irregularidades na constituição de provisões para perdas de crédito; 300 milhões de reais referentes a ajustes de marcação a mercado; e 200 milhões de reais oriundos de outros ajustes.

O Grupo Silvio Santos vendeu o Panamericano ao BTG Pactual no último dia 31. A negociação foi acertada em 450 milhões de reais. O Panamericano deveria ter divulgado o balanço do terceiro trimestre em 12 de novembro. No entanto, três dias antes, a diretoria do banco comunicou ao mercado que havia feito um acordo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para receber a quantia de 2,5 bilhões de reais usada para cobrir o rombo. O banco atrasou a divulgação do balanço em três meses.

O balanço também revelou que o banco apresentou, em dezembro de 2010, um prejuízo consolidado – resultado que inclui as empresas controladas nos segmentos de seguros, arrendamento mercantil e consórcios – de 133,61 milhões de reais. A DFP individual do Panamericano mostrou, por sua vez, um prejuízo de 142,24 milhões de reais no mês.

Dificuldade de comparação – A decisão do novo grupo controlador, formado pela Caixa Econômica Federal e o BTG Pactual, de informar apenas o resultado de dezembro – e não do trimestre, como é usual – deve-se justamente às irregularidades encontradas. Como explica o relatório da companhia, "a complexidade dos mecanismos adotados na geração das inconsistências contábeis impediu a definição do momento exato em que começaram a ocorrer as irregularidades contábeis e fragilidades dos controles internos que ocasionaram a falta de confiabilidade dos registros." A situação teria tornado, assim, praticamente impossível a realização de comparações.

Por conta dessa situação, a nova administração decidiu estabelecer “uma nova base contábil confiável”. Para análise da situação patrimonial, foi feito um levantamento dos direitos e obrigações da companhia – ou seja, tudo aquilo que a empresa tem a receber e também a pagar a seus credores – tendo como ponto de partida a data de 30 de novembro de 2010. Para efeito de comparação, o banco utilizou a situação patrimonial nessa data em vez da relativa a 31 de dezembro de 2009.

A explicação que consta do relatório da companhia é a “inviabilidade de se mensurar, pelo exercício social já encerrado, as significativas distorções contábeis decorrentes das inconsistências e demais irregularidades identificadas, ou mesmo, de se reelaborar demonstrações financeiras confiáveis de exercícios anteriores."

Com base nestes critérios, o patrimônio líquido do Panamericano reduziu-se em 142 milhões de reais em um mês, passando de 339 milhões de reais em 30 de novembro para 197 milhões de reais no encerramento do ano passado.

Limites operacionais – A nova administração do banco informou ainda que a atual situação de “desenquadramento” dos limites operacionais obrigatórias – isto é, Índice de Basileia e margem operacional – estará revertida até o fim de fevereiro. Como explica o relatório da companhia, os "ajustes corretivos" realizados em novembro de 2010 apresentaram reflexos sobre a estrutura de capital do banco, resultando neste desenquadramento.

A situação deverá ser revertida considerando os negócios já realizados pelo banco em janeiro, o suporte oferecido pela Caixa Econômica Federal; pelo novo controlador, o Banco BTG Pactual, e pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), além do depósito adicional de 1,3 bilhão de reais feito em conta de "Depósito de Acionista" pelo então controlador, o Grupo Silvio Santos, em 31 de janeiro.

O banco afirmou ainda que as demonstrações financeiras consolidadas, a serem preparadas de acordo com as práticas contábeis internacionais (IFRS), serão encaminhadas ao Banco Central (BC) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dentro do prazo regulamentar.

(com Agência Estado)

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