Brasil
Novo partido
Na Bahia, PDB pagará dívidas políticas
Com a ajuda do vice-governador, Kassab garante participação de prefeitos baianos no partido que pretende criar
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), ganhou um inesperado apoio para fincar as bases do Partido Democrático Brasileiro (PDB) no Nordeste. Assim que soube das intenções de Kassab, o vice-governador da Bahia, Otto Alencar (PP), o procurou para garantir espaço na nova legenda em seu território. O movimento não teve nada a ver com caridade. O objetivo: pagar as próprias dívidas políticas.
Nas eleições de 2010, após migrar do PR para o PP para ocupar a vice na chapa de Jaques Wagner (PT) ao governo da Bahia, Alencar mobilizou velhos aliados nos municípios baianos. Ele estima que ajudou a arrebanhar para a campanha mais de 300 prefeitos de diferentes partidos, inclusive os adversários, como PSDB e DEM, da coligação do candidato Paulo Souto, e PR, que apoiava o candidato do PMDB, Geddel Vieira Lima.
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Ex-governador e ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, ele tentou usar o prestígio para tentar convencer os políticos locais. Não foi suficiente - ao apoiar um adversário, poderiam se desgastar com o próprio partido e, como represália, perderiam a chance de se candidatar à reeleição ou indicar substituto em 2012. A solução veio logo. “Apresentei a eles a possibilidade existente na lei eleitoral de mudar para um partido recém-criado e não perder o mandato”, conta o vice-governador.
A estratégia deu certo: o apoio dos prefeitos pesou na vitória de Jaques Wagner, mas, de quebra, Alencar ganhou uma dívida. “Tenho a responsabilidade de encontrar uma saída agora. Se não conseguir, vou ficar em uma situação desconfortável com eles”, reconhece. A notícia de que Kassab estaria articulando a criação de um novo partido veio a calhar e o vice-governador baiano o procurou.
Até então, o único contato mais próximo entre Alencar e Kassab havia sido em 1989, quando o atual prefeito paulistano era assessor do então candidato à Presidência pelo PL, Guilherme Afif Domingos, hoje vice-governador de São Paulo. Além de terem sido do mesmo partido, que depois transformou-se em PR, Alencar e Afif são amigos. Com Kassab, a relação era distante.
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Às claras - Sem papas na língua, o vice solta aos quatro ventos a intenção de migrar para o PDB, ao contrário do próprio Kassab. “Não há nada de oportunismo ou clientelismo”, assegura. “Quem julga é o povo e na Bahia todos estão recebendo muito bem a ideia porque sabem que aqui o partido vai ser uma solução”. Desgastado com o PP, que, segundo ele, não o chama sequer para reuniões partidárias, Alencar tem a anuência de Jaques Wagner para a migração.
Para ele, a criação do PDB é resultado do que chama de inflexibilidade da lei eleitoral, por não permitir que um prefeito seja candidato à reeleição se for contra os interesses do partido. “A lei dá muito poder aos presidentes dos partidos. Eles têm mais poder que general cinco estrelas na época da ditadura, mandam e ninguém discute”.
Para reforçar seu argumento, ele cita o exemplo do irmão, Eduardo Alencar (PSDB), prefeito do município baiano de Simões Filho, que apoiou o candidato petista nas eleições porque Otto era o vice. O apoio familiar, mas contrário aos interesses do PSDB, teve um preço. “O primeiro ato do presidente do partido na Bahia, Antônio Imbassahy, foi tirar a possibilidade dele se candidatar à reeleição em 2012, dando a chance para o Jackson Bonfim, seu maior rival”, afirma Alencar.
Grande alcance - O vice-governador baiano calcula que o PDB tenha representação em pelo menos 24 estados brasileiros e, na Bahia, conte com a adesão de 100 prefeitos e ex-prefeitos, muitos vereadores, até cinco deputados federais e oito estaduais. “Mas criar um partido não é uma engenharia política fácil, pode ser que na hora h a pressão das legendas fale mais alto”, pondera.
No próximo dia 20, Alencar reúne-se com o prefeito Gilberto Kassab, em Salvador, para acertar os ponteiros. Ele diz que o manifesto do PDB sairá do forno três dias depois, em Brasília. Já sobre a fusão com o PSB, é evasivo. “Só o futuro vai dizer. Na política, tudo acontece como no amor, passo a passo. Qualquer precipitação é véspera de fracasso”, filosofa.








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