Por: Luciana Marques e Cida Alves - Atualizado em

João Dias, soldado da Polícia Militar
João Dias, soldado da Polícia Militar(Cristiano Mariz/VEJA)
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) concedeu na noite desta quinta-feira a liberdade provisória ao policial militar João Dias, delator de um esquema de corrupção envolvendo o ministério do Esporte e o governo do Distrito Federal. A decisão foi tomada pelo juiz de plantão, por volta das 19 horas. De acordo com o advogado do policial, André Cardoso, Dias deve ser liberado por volta da meia-noite, depois que o oficial de Justiça entregar no local o alvará de soltura. João Dias está detido em carceragem próxima ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. João Dias foi preso quarta-feira, quando entrou no Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, despejou uma mala de dinheiro no gabinete do secretário de governo, Paulo Tadeu, e agrediu funcionários do local. Ele machucou o dedo de um policial militar que tentava contê-lo e ofendeu a chefe de gabinete do secretário. Segundo Cardoso, a Polícia Militar deve agora abrir um processo administrativo disciplinar para investigar a conduta de João Dias. Dependendo do resultado, Dias pode ser expulso da corporação. O policial João Dias justificou a atitude dizendo que emissários de Tadeu tentaram comprá-lo para que ele não revelasse irregularidades na equipe do governador Agnelo Queiroz (PT). Mais cedo nesta quinta-feira, a defesa de João Dias havia dito que o policial fora preso por razões políticas. No depoimento que prestou à Polícia Militar, na quarta-feira, João Dias contou que sua relação com Paulo Tadeu teve início ainda em 2006. O motivo: o policial intermediava a arrecadação de recursos para o comitê regional da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Dias conta que ajudou a cobrir um rombo milionário na coordenação local da candidatura a presidente. "Foram repassados 1 milhão de reais de forma parcelada ao deputado Paulo Tadeu para o pagamento das campanhas regional e presidencial no 1º e no 2º turno para presidente, para que o deputado pudesse ser o coordenador", afirmou Dias no depoimento obtido por VEJA. O episódio é relatado de forma breve, quando o delator explica o surgimento de sua relação pessoal com o atual homem forte do governador Agnelo Queiroz. Escândalo - Em outubro, João Dias contou a VEJA que as organizações não-governamentais (ONGs) contratadas pelo Ministério do Esporte para o Programa Segundo Tempo só recebiam os recursos mediante o pagamento de uma taxa previamente negociada que podia chegar a 20% do valor dos convênios. O PCdoB, segundo ele, indicava desde os fornecedores até pessoas encarregadas de arrumar notas fiscais frias para justificar despesas fictícias. Na entrevista, o policial afirmou que, na gestão de Agnelo Queiroz no ministério, o Segundo Tempo já funcionava como fonte do caixa dois do partido - e que o gerente do esquema era o ex-ministro Orlando Silva, então secretário executivo da pasta. Por nota, a assessoria do governador Agnelo disse que as relações entre ele e João Dias se limitaram à convivência partidária, que nem sequer existe mais. O militar contou ainda que Orlando Silva chegou a receber, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério do Esporte, remessas de dinheiro vivo provenientes da quadrilha: "Por um dos operadores do esquema, eu soube na ocasião que o ministro recebia o dinheiro na garagem". Silva, que deixou o governo em outubro, negou as acusações.
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