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Dois seguranças do promotor Nisman são destituídos

Policiais cometeram 'falta grave' ao não informar que não estavam conseguindo contato com promotor no dia em que ele foi encontrado morto

Dois encarregados da segurança de Alberto Nisman foram destituídos pelo chefe da Polícia Federal por não terem avisado aos superiores que não conseguiam entrar em contato com o promotor, encontrado morto no último dia 18. O suboficial Luis Miño e o sargento Armando Niz cometeram “falta grave” por não terem comunicado que tentaram falar com o procurador ao longo das 11 horas que antecederam a descoberta do corpo dentro do apartamento em que Nisman morava, em Buenos Aires.

Eles chegaram ao local por volta das 11 horas, mas só informaram seus chefes depois das 22h40, quando um funcionário da empresa de serviços médicos e a mãe do promotor, Sara Garfunkel, já haviam entrado no apartamento.

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O depoimento de ambos apresentou contradições significativas, principalmente em relação ao horário em que tocaram a campainha do apartamento para tentar falar com o promotor (Miño disse que foi às 17 horas e Niz, às 14h30), e também sobre o local onde pararam a viatura para esperar um contato de Nisman: Miño disse que os seguranças estavam estacionados no subsolo do edifício, porque estava chovendo – o sinal de celular não funciona bem na área. Niz afirma que estavam no estacionamento de cortesia do complexo Le Parc, normalmente destinado a visitantes.

A expulsão foi ordenada pelo secretário de Segurança Nacional, Sergio Berni, segundo o jornal Clarín. Com a decisão, os dois perdem sua condição policial e não podem mais portar armas. Além de Miño e Niz, outros dez policiais também respondem a processo administrativo – oito deles também integravam a equipe de proteção e os outros dois eram chefes dos seguranças.

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Enterro – O promotor deverá ser enterrado quinta-feira no Cemitério Israelita da Tablada, em Buenos Aires. Segundo o Clarín, o corpo será liberado para a família amanhã. A promotora Viviana Fein, responsável pela investigação do caso, informou que juíza Sandra Arroyo Salgado, ex-mulher de Nisman, disse que não era necessário realizar uma segunda autópsia.

O procurador foi encontrado morto com uma pistola ao lado e um tiro na têmpora dias depois de apresentar uma grave denúncia contra a presidente Cristina Kirchner e vários apoiadores, segundo a qual o governo teria acobertado a participação de iranianos no atentado contra um centro judaico na capital argentina em 1994.

Nesta terça foram realizadas novas buscas no apartamento em que o promotor morava. O objetivo era encontra duas armas que estão registradas no nome de Nisman – a arma da qual saiu o tiro que o matou, segundo as autoridades, foi emprestada por Diego Lagomarsino, que trabalhava na promotoria e foi indiciado por entregar a pistola a alguém que não era ‘legítimo usuário’. As buscas, solicitadas pela promotora Viviana, também estavam concentradas em documentos que possam estar vinculados à morte de Nisman.