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No dia da operação da PF, Lula esbraveja em conversa com Dilma: “STF e Congresso estão acovardados”

Após ser obrigado a depor, ex-presidente diz que está assustado com a "República de Curitiba". E sobram farpas para toda a República

No dia em que foi obrigado a depor à Polícia Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou com a presidente Dilma Rousseff e o então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, e relatou como ocorreram as buscas. Na conversa, interceptada pela Polícia Federal, Lula começa fazendo troça com uma de suas principais assessoras, Clara Ant, que também foi alvo da ação policial: “A Clara tava dormindo sozinha quando entrou cinco homens lá dentro, ela pensou que era presente de Deus, era a Polícia Federal, sabe? Então…”. Sobre a reação às investigações, Lula diz à presidente que “não tem mais trégua”. A Dilma, Lula diz que os tribunais superiores e o Congresso Nacional estão acovardados diante da “República de Curitiba”: “Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos uma Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PC do B é que acordaram e começaram a brigar. Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quanto parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que vai todo mundo se salvar. Eu, sinceramente, tô assustado com a ‘República de Curitiba’. Porque a partir de um juiz de primeira instância, tudo pode acontecer nesse país.”

Lula: Alô…alô (ao fundo Lula diz: Não tem ninguém não, MORAES!)

Dilma: Alô, alô. Oi LULA!

Lula: Tudo bem?

Dilma: Não, não tô achando tudo bem não.

Lula: Faz parte…

Dilma: Ah, faz parte? Então ta bom. E como é que você tá?

Lula: Eu tô bem…

Dilma: Tá?

Lula: Eu tô bem, eu falei com a Marisa agora, eles já foram embora de casa, já foram embora da casa do Fabio, já foram embora da casa do Sandro, eu só não consegui falar com Marcos. As perguntas, se os canalhas tivessem mandado um ofício, teria ido prestar depoimento, como eu já fui três vezes a Brasília prestar depoimento. Eu acho que o Moro quis fazer um espetáculo, antes da decisão daquele negócio que tá no Supremo pra decidir, a gente não sabe se é contra ou a favor, mas ele precisava fazer um espetáculo de pirotecnia. As perguntas foram as mesmas que eu já respondi ao Ministério Público e a dois delegados da Polícia Federal. Dos meus filhos, eles levaram os mesmos documentos que já tinha levado quando tinham levado na “invasão” na casa do meu filho. Ah, o único lugar que houve um pouco… foram na casa do Paulo Okamotto, foram na casa da Clara Ant, sabe? A Clara tava dormindo sozinha quando entrou 5 homens lá dentro, ela pensou que era presente de Deus, era a Polícia Federal, sabe? então… (risos)

Dilma: (risos) Ela pensou que era um presente de Deus? (risos)

Lula: Então é isso, Dilma, eu acho que foi um espetáculo de pirotecnia. A tese deles é de que tudo que ta acontecendo foi uma quadrilha montada em 2003 e que portanto, sabe, ela perdura até hoje, sabe? E dentro do palácio, é a tese deles, é a tese deles. Então eles não precisam de explicação, como a teoria do domínio do fato não precisava de explicação, o crime estava dado, agora é o seguinte, a imprensa diz que é criminoso e eles colocam em prática. Eu, estou dizendo aqui pro PT, Dilma, que não tem mais trégua, não tem que ficar acreditando na luta jurídica, nós temos que aproveitar a nossa militância e ir pra rua. Eu sinceramente, que tô querendo me aposentar, eu vou antecipar minha campanha pra 2018, eu vou acertar de viajar esse país a partir da semana que vem, sabe?! E quero ver o que vai acontecer. É, lamentavelmente, vai ser isso, querida. Eu não vou ficar em casa parado.

Dilma: O senhor não acha estranho aquela história de quinta-feira? A IstoÉ antecipar… (interrompida)

Lula: Eu acho estranho a liberação… a liberação do Delcídio, a declaração do Delcidio, a IstoÉ antecipar, eu acho ô Dilma.

Dilma: E logo no seguinte, na sexta-feira, o senhor ser chamado.

Lula: É um espetáculo de pirotecnia sem precedentes, querida. Eles estão convencidos de que com a imprensa chefiando qualquer processo investigatório eles conseguem refundar a República.

Dilma: É isso aí!!

Lula: Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos uma Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PC do B é que acordaram e começaram a brigar. Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quanto parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que vai todo mundo se salvar. Eu, sinceramente, tô assustado com a “República de Curitiba”. Porque a partir de um juiz de primeira Instância, tudo pode acontecer nesse país.

Dilma: Então era tudo igual o que sempre foi, é?

Lula: Era, a mesma coisa…. Hoje eles fizeram uma coisa coletiva. Foram na casa do Paulo Okamotto em Atibaia, eu nem conversei com Paulo ainda, foram na casa da Clara. Eu tô pensando em pegar todo o acervo, eu vou tomar a decisão, e levar, jogar na frente do Ministério Público. Eles que enfiem no cu e tomem conta disso.

Dilma: O acervo, de que?

Lula: Dilma, é um monte de container de tranqueira que eu ganhei quando eu tava na Presidência.

Dilma: Ah, dá pra eles! Eu vou fazer a mesma coisa com os meus, viu?!

Lula: Então é o seguinte, ô, ô, uma hora gostaria de conversar pessoalmente porque eu acho que nós precisamos mudar alguma coisa nesse país.

Dilma: Você pode? Quando é que você vai? (interrompida)

Lula: Ontem eu disse o seguinte, a única pessoa… Como é que pode um delegado da Polícia Federal dar uma declaração contra a mudança de ministro?

Dilma: Eu nunca vi isso, eu também nunca vi isso!

Lula: Como é que pode? Ou seja, eu disse pra eles a única pessoa que está precisando de autonomia nesse país é a Dilma, que foi a única eleita, e que não consegue governar por causa do Congresso, não consegue governar por causa do Tribunal de Contas, não consegue governar por causa do Ministério Público, porra! Somente quem está precisando de autonomia é a Presidência da República, o resto tudo tem.

Dilma: E quando é que a gente pode conversar?

Lula: Querida, eu tô, eu tô, o nosso companheiro tinha visto a possibilidade de você convocar um conversa… quando você quiser, meu amor, só não pode ser amanhã, porque amanhã tá muito em cima.

Dilma: Tá bom.

Lula: Mas quando você quiser, eu me disponho

Dilma: Segunda! Segunda! Segunda! Tá?

Lula: Tá, depois eu acerto com o “galego”, pra mim pode ser.

Dilma: Ele quer falar contigo. Pera lá

Lula: Tá bom.

Jaques Wagner: Diga, excelência!

Lula: Tudo bem, querido?

Jaques Wagner: Suportou a “encheção” de saco?

Lula: Não houve tortura, vocês é que sofreram mais do que eu, porra!

Jaques Wagner: Não, todo mundo sofre…

Lula: Foi a mesma pergunta de sempre Wagner, a mesma coisa de sempre

Jaques Wagner: Foi só pra fazer a cena.

Lula: Eu acho que eles quiseram antecipar o pedido nosso que tá na Suprema Corte, que tá na mão da Rosa Weber.

Jaques Wagner: Entendi

Lula: Sabe, eles tão tentando antecipar, como eles ficaram com medo do que a Rosa fosse dar, eles tão antecipando tudo isso… Porque ela poderia tirar isso da Lava Jato. O Moro fez um espetáculo pra comprometer a Suprema Corte.

Jaques Wagner: Eu acho que não é só isso não, eles tão querendo criar clima, agora só falam de renúncia, clima pro dia 13. Eu disse ontem, quando saiu a matéria da IstoÉ, eu disse: “amanhã, eles vão fazer alguma putaria com Lula”.

Lula: Aham.

Jaques Wagner: E terça-feira o “filho da puta” da OAB vai botar aqui, dizendo que o Conselho da OAB acha que nesse caso… É uma palhaçada, porque o Delcidio, porra! Que eu não imaginei que era tão canalha! Ele fala de Pasadena, por exemplo, essa porra já foi arquivada pela PGR, fala que você mandou isso, mandou aquilo… porra, tem prova? Vai tomar no cu, eu não sabia que ele era tão escroto! Mas vamos lá…

Lula: Mas viu querido, “Ela” tá falando dessa reunião, ô Wagner eu queria que você visse agora, falar com “Ela”, já que “Ela” tá aí, falar o negócio da Rosa Weber, que tá na mão dela pra decidir. Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram.

Jaques Wagner: Tá bom, falou! Combinado, valeu querido, um abraço. Um abraço na Marisa e nos meninos…

Lula: Tá bom, tchau, querido.

Jaques Wagner: Tchau.