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Ex-surfista atacado por tubarão ganha prótese na Justiça

Por Angela Lacerda

Recife – Charles Heitor Barbosa Pires, 34 anos, ex-surfista que teve as duas mãos arrancadas por um tubarão, há 13 anos, na praia de Boa Viagem, no Recife, conseguiu, na Justiça, o direito de ter duas próteses biônicas custeadas pelo Estado de Pernambuco, que irão ser utilizadas no lugar das mãos, encaixadas nos pulsos.

Importadas da Escócia por meio de uma fornecedora do Rio Grande do Sul, as próteses custaram R$ 654 mil e irão permitir a Charles todos os movimentos dos dedos. Nos primeiros testes realizados com as próteses, o ex-surfista já teve um vislumbre do ganho: “Me emocionei ao poder pegar nas mãos das pessoas”, afirmou ele, que também sentiu a alegria de colocar alimentos na boca. “O comando é meu, através do pensamento”.

Devido à necessidade de ajustes, ele viaja ainda neste mês para o Rio Grande do Sul. Sua expectativa é poder retornar ao Recife com total controle sobre suas mãos biônicas, podendo mexer todos os dedos e com capacidade de suportar até 90 quilos. “É o que tem de mais moderno”, comemora ele.

Charles perdeu as mãos ao tentar se defender do tubarão que o atacou no dia 1 de maio de 1999. Tinha 21 anos. Casou, tem dois filhos e no próximo ano conclui o curso de Direito. Foi na faculdade, ajudado pelo professor de Direito Constitucional, Marconi Barreto Junior, que se tornou seu advogado, que decidiu entrar, em 2010, com um processo judicial contra o Estado, com base no artigo 196 da Constituição Federal que afirma o direito de reinclusão social do deficiente físico. Em outubro do ano passado, o juiz José Marcelon Silva, da 3. Vara da Fazenda Pública, concedeu a liminar. As próteses chegaram em abril.

Mesmo sem prótese, Charles trabalhou como auxiliar administrativo em uma empresa por sete anos. Ele consegue usar o computador e realizar algumas tarefas com a ajuda de uma tala improvisada. Atualmente no seguro desemprego, já pensa em fazer estágio em um escritório de advocacia e voltar a ser um cidadão integral, sem dependências nem exclusões.

Quando sofreu o ataque de tubarão, as praias do Recife e região metropolitana sul ainda não expunham as placas de proibição de surfe na área devido à presença de tubarões.