10/09/2011
às 19:32 \ Política & CiaO centenário do general Golbery, um dos pais da ditadura militar
Amigos, reproduzo hoje texto do jornalista Luiz Cláudio Cunha publicado no Observatório da Imprensa, sob o título original “Golbery: benfeitor em Rio Grande, malfeitor no Brasil”.
O aziago mês de agosto do ano da graça de 2011 marcou a confluência de duas comemorações contraditórias: os 45 anos do afogamento sob torturas do ex-sargento do Exército Manoel Raimundo Soares e os 100 anos de nascimento do general Golbery do Couto e Silva.
Uma exalta a memória, outra ofende a História – uma ofensa com o beneplácito do silêncio cúmplice da imprensa.
Em 1966, ainda agosto, o cadáver putrefato do sargento veio à tona num dos afluentes do lago Guaíba que banha Porto Alegre, após 152 dias de tortura num quartel do Exército e nas celas do DOPS. Aflorou nas águas barrentas do rio Jacuí com os pés e as mãos amarradas às costas, marca brutal da tortura que estarreceu até o homem que, dois anos antes, iniciara o golpe que impôs a ditadura: “Trata-se de um crime terrível e de aspecto medieval, para cujos autores o Código Penal exige rigorosa punição”, indignou-se o general Olympio Mourão Filho, então ministro do Superior Tribunal Militar (STM).
O “Caso das Mãos Amarradas”
O “Caso das Mãos Amarradas” ficou ali, boiando no medo viscoso de alguns, constrangendo a inércia de muitos, incomodando a consciência de todos. Apesar dos 20 nomes envolvidos na prisão, tortura e morte de Soares – 10 sargentos, 3 delegados, 2 comissários, 2 tenentes, 1 guarda-civil, 1 major e 1 tenente-coronel do Exército –, o IPM foi arquivado sem que ninguém fosse denunciado. No último dia 26 de agosto, aniversário de sua morte, o sargento Soares foi lembrado em Porto Alegre com a inauguração de um monumento em um parque às margens do Guaíba de onde seu cadáver emergiu para a história.
A viúva, dona Elizabeth, abriu um processo em 1973 contra a União pedindo indenização por danos morais. Sucessivamente, nos últimos 16 anos de presidência dos democratas Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, a União recorria teimosamente da sentença para defender os assassinos da ditadura. Dona Elizabeth morreu no Rio de Janeiro em 2009, aos 72 anos, com as mãos amarradas pela impunidade e o coração sangrado pela amargura – ainda sem saber o nome dos assassinos do marido, sem ser indenizada pelo Estado que o matou, sem ver a homenagem tardia ao sargento, trucidado aos 30 anos de idade.
O repúdio da terra
No domingo anterior, 21 de agosto, uma cerimônia parecida resgatou a lembrança de outra ilustre figura, morta em 1987: o mentor da ditadura que supliciou e assassinou o sargento, o general Golbery do Couto e Silva, nascido exatamente um século antes em Rio Grande (RS), o porto mais importante do extremo sul do país. O prefeito da cidade, filiado ao PMDB bastardo que nada lembra o MDB velho de guerra que combateu o regime militar, plantou na praça Tamandaré a pedra fundamental de um busto em honra ao filho ilustre, conterrâneo do almirante e patrono da Marinha.
A mais alta autoridade militar no ato da praça era um major da guarnição local, o 6º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha). Nem o comandante, um tenente-coronel, apareceu por lá. Era a terceira tentativa de homenagear Golbery na sua terra natal: as duas anteriores, para dar seu nome a uma rua, foram negadas pelos vereadores. Até que, no Natal de 2009, o projeto do busto foi aprovado na Câmara local com um único voto contrário. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário
Tags: Campanha da Legalidade, Caso das Mãos Amarradas, Ciro do Espírito Santo Cardoso, Constituição, ditadura, Dops, Ernesto Geisel, Escola Militar do Realengo, Exército, FEB, FHC, general Bento Gonçalves, Getúlio Vargas, Golbery do Couto e Silva, Guerra Fria, IPES, IPM, Jânio Quadros, João Figueiredo, João Goulart, Juscelino Kubitscheck, Leonel Brizola, Lula, Manoel Raimundo Soares, marechal Lott, Marinha, MDB, Ministério de Guerra, Ministério do Trabalho, Olympio Mourão Filho, Paulo Maluf, PMDB, regime militar, Revolução Farroupilha, Riocentro, Segunda Guerra Mundial, Serviço Nacional de Informações, SNI, Superior Tribunal Militar, Tancredo Neves, War School de Fort Leavenworth



























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