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Obama reincide na prática de tentar apelar à opinião pública para pressionar o Congresso; o remédio já deu errado, mas ele insiste!

Então… Se americano fosse, teria votado, como já deixei claro!, em Mitt Romney. Estaria do lado dos 48,1% que perderam a eleição, não no dos 50,3% que ganharam… Talvez eu tenha sido muito sutil para alguns (não para os leitores habituais do blog, claro!). Então tento de novo: estaria do lado dos 24 estados que […]

Então…

Se americano fosse, teria votado, como já deixei claro!, em Mitt Romney. Estaria do lado dos 48,1% que perderam a eleição, não no dos 50,3% que ganharam… Talvez eu tenha sido muito sutil para alguns (não para os leitores habituais do blog, claro!). Então tento de novo: estaria do lado dos 24 estados que sufragaram o republicado, não no dos 26 que referendaram o democrata. Pode haver quem ainda não tenha entendido: estaria com a quase metade que não queria a continuidade de Obama, não com a metade mais 0,3 ponto que apostaram no contrário.

O cenário que aponto acima, perceberam os leitores atentos, é o de um país que se dividiu nas urnas, o que é legítimo. Os jornais americanos e a imprensa brasileira omitem o óbvio: os que vivem da arrecadação, em vez de gerar riquezas tributadas, fizeram a diferença em favor do democrata; os que são mais estado-dependentes se mobilizaram mais — pior, então, para os que sustentam o circo. Mas não quero me perder nisso agora, não!

Obama recorreu, mais uma vez, àquilo que já é um hábito seu: resolveu governar o país por intermédio da imprensa, conclamando, de novo!, os eleitores a pressionar o Congresso. Talvez ele esteja acreditando no que dizem setores da imprensa americana (e brasileira se soubesse português…), que sustentam que ele teve uma vitória realmente convincente e maiúscula. Por isto escrevi aquele primeiro parágrafo: para demonstrar, pelo exemplo, que isso é falso. Leiam o que informa a VEJA.com. Volto em seguida.
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Em um rápido pronunciamento nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um apelo à população. Ele exortou os eleitores a pressionar os congressistas de seus estados para que encontrem uma solução urgente para a crise fiscal por que passa o país. O democrata, que foi reeleito nesta terça-feira, lembrou aos americanos que o chamado “abismo fiscal” (veja quadro explicativo) se aproxima.

Segundo Obama, se o Congresso não entrar em um consenso no tocante a medidas urgentes que precisam ser adotadas para conter o gigantesco rombo fiscal do país, um amplo programa de corte de gastos e aumentos de impostos – no valor de aproximadamente 665 bilhões de dólares em 2013 – entrará em vigor já em 1º de janeiro. “Precisamos reduzir o déficit (fiscal) de maneira responsável. Nosso trabalho aqui é urgente. Nosso prazo está acabando, e isso é ruim para a economia e a classe média”, disse em discurso na Casa Branca, em Washington.

O presidente destacou ainda a necessidade de republicanos e democratas se unirem em apoio a decisões sobre elevação de tributos – medida que ele apoia, mas que encontra nos republicanos uma oposição ferrenha – e de redução de gastos públicos. “Ambas as partes precisam fazer mais. Estou aberto a novas ideias e disposto a resolver o desafio fiscal”, afirmou.

No ano fiscal de 2012, que foi de 1º de outubro de 2011 a 30 de setembro deste ano, o déficit americano superou pelo quarto ano seguido o patamar de 1 trilhão de dólares.

Voltei
No dia 30 de julho do ano passado, escrevi um post sobre uma atitude parecida de Obama. Ele resolvera, à época, pressionar os republicanos por intermédio de um tuitaço. Até então, os republicanos nem mesmo haviam conseguido constituir um candidato competitivo. Não retiro uma só palavra daquele artigo — reproduzido, diga-se, no livro “O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo”. Sim, amigos, a classe petralha é internacional, hehe… Segue aquele artigo. Acho que vale a pena lê-lo ou relê-lo.

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Há coisas que têm tudo para dar errado e que, vejam vocês, dão! É o caso de Barack Obama nos EUA. O que sempre pensei a respeito deste senhor está nos arquivos. Sempre vi nele o traço inconfundível de um populista do Terceiro Mundo. É claro que isso nada tem a ver com a sua cor ou origem, mas com os seus métodos. Achava detestável sua mania de se referir a “Washington” como o lugar da picaretagem, como se ele não fosse, afinal, alguém de… Washington! No Brasil, Lula atacava — e ataca ainda — as “elites”.

Ambos têm histórias, origens e formações muito distintas. Mas algo os reúne de maneira inegável: não estão nem aí para as instituições; acreditam que uma de suas tarefas é atropelá-las. E as atropelam. Obama, só para citar um caso, foi à guerra contra a Líbia sem pedir autorização para o Congresso e, na prática, jogou no lixo os termos da resolução da ONU que autorizava a ação naquele país. Sim, ele acha que pode.

Nego-me a discutir a questão estúpida sobre se a crise é ou não herança do governo Bush. Deixo isso para o Arnaldo Jabor. Essa é outra marca da mentalidade tacanha terceiro-mundista. Quem se apresenta como candidato e se dispõe a ganhar uma eleição está afirmando que sabe como resolver o impasse — se há um. Se o governo Bush tivesse sido um espetáculo, Obama não teria sido eleito. É simples assim. E ele se tornou presidente justamente porque o outro se deu mal. O que lhe garantiu a ascensão não pode ser fonte permanente de desculpa para o seu insucesso. É uma questão óbvia, de lógica elementar.

Os republicanos não fizeram sozinhos a crise sobre o limite do endividamento. Aliás, Obama passou dois anos com maioria nas duas Casas. Foram os seus apoiadores que ajudaram a extrapolar o limite de gastos. E, numa democracia, ele tem de negociar com o Congresso — quem lhe tirou a maioria na Câmara foi o eleitorado, não uma conspiração. Não gostam do Tea Party, é? Troquem o eleitorado americano, então!!! Ou ele é legítimo quando elege Obama, mas ilegítimo quando dá mandatos à direita republicana? Tenham a santa paciência!

Obama transformou os EUA no Findomundistão, um paiseco ridículo, em que o presidente da República se comporta como um propagandista vulgar. Em meio a uma das maiores crises da história recente dos EUA, sabem o que fez o homem ontem? Um tuitaço, jogando a população contra o Congresso. Ou melhor: tentando incitar as massas contra os republicanos. Leiam este trecho de reportagem da Folha:

Ontem, o twitter @BarackObama, mantido pela campanha de 2012, passou a tarde listando contatos de republicanos que os eleitores deveriam pressionar a ceder.
A primeira mensagem foi enviada pelo próprio presidente, que assina como “BO”: “A hora de pôr o partido em primeiro plano acabou.
Se você quer ver um acordo (#compromise) bipartidário, diga ao Congresso. Ligue. Mande e-mail. Tuíte”.

Você entenderam direito: o endereço criado para a campanha presidencial do ano que vem foi usado para insuflar os americanos contra os republicanos. Isso tudo porque, afinal, o presidente quer se apresentar como um magistrado!!! Num de seus milionésimos pronunciamentos na TV, referindo-se ao plano dos republicanos, aprovado na Câmara e depois rejeitado no Senado, afirmou: “Esse plano nos forçará a reviver essa crise em poucos meses, mantendo nossa economia cativa da politicagem de Washington outra vez”. O homem que usa o seu Twitter de candidato para pressionar em favor de uma questão que interessa ao presidente ataca a “politicagem” de Washington… Ele, afinal de contas, faz o quê?

A verdade insofismável é que Obama é ruim de doer; trata-se de uma dos mais vistosos fiascos da história política dos EUA. Ontem, irritados com a pressão, nada menos de 37 mil seguidores do presidente no Twitter resolveram desertar. Perceberam que estavam sendo vítimas de uma espécie de assédio — e que Obama, afinal, está molestando as instituições do país. Não por acaso, hoje seu governo é aprovado apenas por 40% dos americanos.

O homem pode até vir a ser reeleito — como mais um sintoma da crise, diga-se. Os republicanos, por enquanto, parecem não ter uma alternativa sólida. Um presidente dos EUA, diante de um caso dessa gravidade, senta para negociar com o Congresso em vez de sacar do bolso o BlackBerry… Foi eleito para governar o país mais importante do mundo e se comporta como um tuitero do Findomundistão… É patético! E ridículo! É perigoso!

Um colunista da Folha Online, mandaram-me o link, comparou a situação dos EUA à estabilidade brasileira e concluiu que o que falta ao presidente americano, acreditem ou não, é um PMDB! Essa sabedoria convencional, que vê no partido um, digamos assim, monumento à fisiologia e ao troca-troca, é só uma visão reacionária de mundo. O PMDB seria, segundo entendi, o grande fator de estabilidade do Brasil. O PR também, claro…

É, vai ver é isto mesmo: a política americana anda muito ideologizada, né, gente? Faltam alguns larápios para fazer a moderação, cobrando o devido pedágio…

O mundo é bárbaro.

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