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Ministério da Educação não vai distribuir vibradores em escolas

Texto publicado por site de humor em 2015, que anunciava 'licitação' do MEC para compra de 500.000 vibradores, foi replicado nesta semana

A nova (velha) notícia falsa que tem se propagado na internet brasileira como se fosse verdadeira junta duas palavras que raramente aparecem no mesmo contexto: “vibrador” e “escola”.

O texto intitulado “Edital Mec – Distribuição gratuita de 500 mil vibradores de Borracha nas Escolas”, obra do blog de humor Joselito Müller em 2015, foi republicado na última terça-feira pelo site Sociedade Oculta e, desde então, já teve cerca de 205.000 compartilhamentos em redes sociais e no WhatsApp.

Leia abaixo a “notícia”:

Edital Mec – Distribuição gratuita de 500 mil vibradores de Borracha nas Escolas

Brasília – O Diário Oficial da União publicou um inusitado edital de licitação do Ministério da Educação, por meio do qual pretende adquirir diversos tipos de pirocas artificiais.

Segundo o informativo, o MEC dará início ao certame, [sic.] na modalidade, [sic.] concorrência, para realizar a compra de 500 mil pênis de borracha – vibradores de até 22 centímetros , [sic.]  cujo orçamento totaliza duzentos e oitenta e quatro mil reais e quatro centavos.

No edital, empresas interessadas poderão encaminhar propostas à comissão de licitação até o dia 15 do próximo mês, e vence quem apresentar a melhor proposta nos quesitos qualidade-eficiência-prazer-preço.

Especialistas avaliam que a destinação dos produtos seja para compor um kit junto com livros e CDs de video[sic.], onde estudantes tímidos, [sic.]  possam ter um melhor entendimento sobre sua sexualidade [sic.] o assunto estudando de forma mais pratica fora da escola, numa espécie de dever de casa [sic.]

É apenas um incentivo a [sic.] masturbação, Afirma [sic.] o sexólogo e cientista político Dênis Braulio [sic.] da Silva. Outra vantagem é que o aluno masculino e hétero, [sic.] poderá experimentar outros tipos de prazeres [sic.] de forma mais intima [sic.] (escondido) reestabelecendo assim um novo conceito sobre preconceito entre gêneros [sic.]

Segundo informações extra oficiais , para o Ministerio [sic.], o kit está em análise na Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade, e não será entregue a alunos, mas às escolas.

O kit é fruto de uma parceria entre o Ministério e a organização não governamental de Comunicação em Sexualidade e foi elaborado por entidades de defesa dos Direitos Humanos e da população GBT , [sic.] a partir do diagnóstico de que falta material adequado e preparo dos professores para tratar do tema. Além de livros e vídeos que tratem de temas como transexualidade e bissexualidade [sic.]

Nossa reportagem tentou contato com o ministro da educação, mas ele não retornou as ligações.

Ninguém no ministério soube, ou quis falar mais detalhes a respeito.

Setores de oposição ao governo criticaram a medida, afirmando que é “desnecessário comprar picas de borracha num momento delicado pelo qual passa a economia nacional , [sic.] desse jeito o Brasileiro [sic.] vai acabar tomando naquele lugar…. [sic.] afirmou João Doria.

Não há qualquer registro nos arquivos do Diário Oficial da União de que a tal licitação existiu. Além disso, os números enunciados pelo boato também evidenciam que a história é altamente inverossímil – e não apenas por sugerir a distribuição de vibradores em escolas brasileiras. O custo de 284.000 reais a ser pago pelas 500.000 unidades resultaria em um preço unitário de apenas 57 centavos, proposta que, por certo, não faria vibrar nenhuma empresa do ramo.

Mesmo assim, diante da repercussão que o boato gerou (veja abaixo postagens no Facebook e no Twitter), o Ministério da Educação preparou um desmentido oficial: “a informação de que o Ministério da Educação estaria abrindo licitação para compra de objetos eróticos para escolas brasileiras não é verdadeira”.

(Reprodução/Reprodução)

 

(Reprodução/Reprodução)

Além das evidências de que a notícia é falsa e do desmentido oficial do MEC, o autor original do texto, o blog Joselito Müller, também não deixa dúvidas. Em sua descrição, o site se autodeclara “pioneiro no jornalismo de ficção brasileiro”.

Já o Sociedade Oculta, famoso pelos boatos que propaga na internet, alguns deles já desmentidos aqui no Me engana que eu posto (leia aqui, aqui e aqui), também passou a se autoclassificar como um site que faz piadas a partir de notícias falsas.

A alegação é, no mínimo, curiosa, já que o blog já publicou lorotas nada cômicas, como a do caminhão apreendido com corpos de crianças sem órgãos no México. Além do mais, ao contrário do Joselito Müller, as indicações do Sociedade Oculta de que se trata de um site humorístico não são nada fáceis de notar. No pé da página, em letras miúdas, o blog passou a informar que “é um site de humor com noticias sem meias verdades”. Suas publicações também têm sido acompanhadas de pequenas “tags”, como “Humor Fake News” e “Lendas da Internet”.

Embora tenha reconhecido que só publica (péssimas) piadas, o Sociedade Oculta ainda é visto em buscas no Google como “Seu Portal de Notícias em Tempo Real” e “Acompanhe todos os dias as notícias mais impactantes aqui em tempo real, fique por dentro do que esta acontecendo pelo país!” (veja abaixo). Ou seja, o leitor mais desavisado pode facilmente se confundir.

No Facebook, onde se declara como “humorista” e tem 776.464 seguidores, o Sociedade Oculta publica suas “piadas” na página “Fatos que já sabemos”.

(Reprodução/Reprodução)

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