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Como a intolerância religiosa atingiu um pastor

O cantor e pastor Klever Lucas fala das represálias que sofreu depois que decidiu ajudar na reconstrução de um terreiro de candomblé no Rio de Janeiro

Por Da Redação - Atualizado em 27 jul 2018, 17h30 - Publicado em 27 jul 2018, 17h29

O cantor e pastor Kleber Lucas é uma potência do gospel, gênero musical consumido pelo público evangélico. Com mais de 1 milhão de CDs e DVDs vendidos, ganhou onze discos de ouro e três de platina e criou hits como Aos Pés da Cruz.

Apesar de sua longa carreira, Lucas agora tem sido vítima de um boicote promovido por uma parte dos fiéis. Ano passado o cantor se engajou na reconstrução de um terreiro de candomblé na Baixada Fluminense incendiado por intolerantes religiosos. Lá ele apresentou a música Maria Maria, de Milton Nascimento. “Que música que se canta em um ambiente plural? Uma música do Kleber Lucas? Não faz sentido”, ele diz ao defender sua escolha musical.

O pastor viu escassear os convites para shows e as execuções nas rádios gospel. Oriundo de um clã sincrético — a mãe é evangélica e o pai foi adepto do candomblé —, ele abraçou com naturalidade a pregação pela tolerância: “Eu não tenho medo de quem levanta a bandeira do ódio, elas não me intimidam com suas vozes. Na verdade o que elas gostariam é de me silenciar.”

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