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Angelita Habr-Gama: Sobre a vida e a morte

Aos 88 anos de idade, a cirurgiã foi infectada pelo novo coronavírus e passou 50 dias na UTI

Por Adriana Dias Lopes, com vídeo de Egberto Nogueira - Atualizado em 4 set 2020, 16h22 - Publicado em 4 set 2020, 14h28

Aos 88 anos de idade, a cirurgiã Angelita Habr-Gama permaneceu intubada na UTI do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, por 50 dias para tratar de uma infecção gravíssima causada pelo novo coronavírus. A experiência não mudou o ritmo frenético de trabalho e poucas semanas depois alta já havia retornado às longas jornadas no consultório e às operações de alta complexidade no trato intestinal, sua especialidade. Formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo na década de 60, a médica enfrentou resistências desde cedo para seguir a carreira de medicina, tanto em casa quanto com professores e colegas por ser mulher. A paixão pela profissão a fez ser não só se tornar a primeira professora titular da instituição e a maior referência em sua área no país – para homens e mulheres. Otimista e objetiva, diz que a Covid-19 a tornou ainda mais forte com mais alegria de viver. “Trabalho é a minha condição de vida. Conheço mais a anatomia de uma barriga do que minhas próprias gavetas”, brinca. Angelita falou a VEJA pessoalmente, na salsa de seu amplo apartamento em São Paulo. Elegantíssima e vaidosa, usava um vestido manequim 38, joias e meias de seda francesa.

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