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Imposto e pirataria: os inimigos do game

Por Da Redação - 15 jun 2009, 14h27

Quando se fala em games no Brasil, é preciso levar em conta que o ambiente nacional enfrenta dois grandes inimigos: pirataria e impostos. Na verdade, trata-se de dois vilões que atuam em parceria.

Os números que revelam os prejuízos da indústria são expressivos e estão diretamente relacionados aos altos impostos. De acordo com estimativas do setor, a tributação nacional sobre um console (XBox 360, Playstation 3 e Wii, por exemplo) pode equivaler a 110% do valor original do produto – o que encarece excessivamente o item para o consumidor. Consequentemente, é grande a parcela de equipamentos importados ilegalmente – mais baratos, portanto.

André Penha, vice-presidente de Comunicação e Marketing da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), acredita que o problema está relacionado ao fato de que o game ainda é considerado um item de luxo no Brasil. Por isso, o valor dos impostos cobrados é tão alto. “Nós gostaríamos que os consoles deixassem de ser vistos como um supérfluo, sendo reconhecidos como uma forma de acesso a uma mídia e até uma ferramenta de inclusão digital”, defende.

Para melhorar a situação, o executivo pede que duas ações sejam priorizadas. A primeira é a própria revisão tarifária dos aparelhos, o que favoreceria diretamente fabricantes e consumidores. A segunda medida diz respeito exclusivamente à indústria: abatimento de impostos nos casos de exportação de jogos. Isso, segundo Penha, possibilitaria a disputa em condições iguais com concorrentes externos.

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Potencial – Apesar dos desafios, as empresas nacionais apresentam um avanço sobre o mercado mundial de jogos eletrônicos. Em um ano, a exportação de games brasileiros dobrou: de 5,8 milhões de reais, em 2007, para 11,3 milhões, em 2008. Segundo pesquisa da Abragames, a produção cresceu 14% no ano passado, e o faturamento passou de 76,7 milhões de reais, em 2007, para 87,5 milhões, em 2008.

A formação de uma indústria de jogos digitais está diretamente associada ao desenvolvimento de polos de pesquisa tecnológica no país, quase sempre vinculados a universidades, que vêm se consolidando desde 2000. E o potencial do país tem atraído olhares e investimentos de empresas estrangeiras. Um exemplo concreto é a francesa Ubisoft, uma das quatro gigantes mundiais da área, que abriu filial no Brasil em julho de 2008.

Bertrand Chaverot, que comanda a operação brasileira da Ubisoft, explica o porquê: “O que motivou a nossa vinda foi principalmente a presença de talentos com criatividade forte”, afirma. “Além disso, o fato de sermos pioneiros aqui, pois é um incentivo ao crescimento da indústria de softwares interativos em um país onde há muito interesse nesse campo.”

Por outro lado, Chaverot também lamenta que os impostos cobrados do setor no país sejam tão elevados. Isso, segundo ele, estimula a pirataria e inibe a venda de jogos em todo o território nacional. “É uma situação que ajuda os piratas e que, sem dúvida, é responsável pelo fato de o país responder por apenas 0,5% do mercado mundial, apesar de todo o seu potencial”, diz.

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(Cecília Araújo)

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