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Com Wii U, Nintendo avança para era social dos games

Novo console da empresa japonesa dará acesso à rede Miiverse, em que jogadores vão compartilhar jogos, experiências e preferências

Híbrido de console e tablet, o Wii U, novo videogame da Nintendo, foi o grande destaque da E3 2012, maior feira de games do mundo, realizada na semana passada em Los Angeles. Mais do que um dispositivo rebuscado, o que a empresa japonesa pretende com o Wii U é avançar para a era social dos games, em que jogadores compartilham a experiência dos jogos, é claro, mas também preferências e dicas. Para isso, a empresa vai colocar em atividade a rede social Miiverse, onde se dará toda a interatividade. Na entrevista a seguir, Scott A Moffitt, vice-presidente de vendas da Nintendo of America, fala sobre o tripé sobre o qual se apoia tanto o Wii U quanto a Miiverse: jogabilidade, conexão social e entretenimento. Moffitt explica também como a empresa tem se esforçado para incluir o Brasil na lista de países que receberão o Wii U às vésperas do Natal.

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A Nintendo ressaltou a importância do conteúdo na E3. Como a companhia escolheu os jogos que serão lançados simultaneamente com o Wii U? Mostramos 23 jogos que serão lançados com o Wii U. Os títulos que escolhemos para mostrar para o público foram, em sua maioria, desenvolvidos por empresas terceirizadas, como Electronic Arts. Eles foram escolhidos porque as companhias conseguiram finalizá-los a tempo e também porque mostram de forma singular como funciona o game pad (controle com tela sensível ao toque do Wii U). Vale destacar ainda que esses games mostram quem a Nintendo pretende atingir com o novo console: nossa missão é continuar expandindo a população gamer, porque acreditamos que todo mundo é um jogador em potencial. Os títulos que apresentamos são capazes de divertir tanto um jogador casual quanto um heavy user.

Por que a Nintendo decidiu atrair também a atenção dos heavy users, os aficionados? É difícil categorizar quem são os jogadores casuais e quem são os aficionados. Estudando o assunto, descobrimos que nos lares convivem os dois tipos de jogadores. Acreditamos que o Wii U pode conectar pessoas de uma forma diferente, e queremos que as famílias joguem juntas e aproveitem essa experiência.

No ano passado, Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo of America, disse que pretende levar o Wii U para o Brasil no mesmo dia em que o console será lançado no resto do mundo. Quando o videogame chegará ao mercado brasileiro? Por ora, nos focamos em compartilhar com o público os jogos que chegarão ao Wii U. Não anunciamos o dia do lançamento ou mesmo o preço do aparelho. Mas todos esses detalhes serão disponibilizados em breve, provavelmente em setembro. Estamos trabalhando duro para lançar o videogame em todo o mundo no mesmo dia. Não posso garantir nesse momento um lançamento simultâneo no Brasil, mas posso dizer que estamos trabalhando muito para que isso aconteça. Também queremos que o console chegue ao país em português – tantos os menus, como seus conteúdos.

Por que é estratégico para a Nintendo se aproximar das desenvolvedoras independentes de games? Se você olhar para os campeões em vendas desde o lançamento do Wii, vai perceber que os primeiros títulos são todos desenvolvidos em casa. Mas no caso do Wii U, o kit de desenvolvimento é mais amistoso a desenvolvedores independentes. Certamente, teremos cada vez mais jogos feitos por essas produtoras. Se analisarmos o ambiente de desenvolvimento do Xbox 360 ou do PlayStation 3, constatamos que eles são muito similares em termos de linguagem de programação e de capacidade, além de compartilharem a alta-definição. Com o Wii é diferente. Por isso, sempre foi muito difícil para as produtoras independentes disponibilizarem jogos nas três plataformas. Com o Wii U, os sistemas ficam parecidos. Todos são de alta-definição, possuem processadores potentes e capacidade gráfica. Isso faz com que seja mais fácil para aquelas produtoras oferecer um mesmo título para os três aparelhos. Queremos que os estúdios imaginem como um game pode ser melhorado com o uso de um controle com uma segunda tela. Então, os desafiamos a explorar esse recurso. O Batman: Arkham City, por exemplo, é muito parecido no Xbox 360 e no PlayStation 3, mas no Wii U a experiência é diferente. Agora, Batman possui um computador no braço: o jogador tem acesso a informações, como mapas, no game pad. Então esse é um grande exemplo de como o josytick pode mudar até mesmo um bom título.

Por que a Nintendo decidiu lançar uma coletânea de jogos antigos para o Wii U? O Nintendo Land traz aclamados jogos da Nintendo repaginados para o Wii U. Acreditamos que essa coletânea representa o que o Wii Sports foi para o Wii. Ele mostra aos usuários os recursos do novo controle e ensina como usá-lo. Acreditamos que a experiência da segunda tela é muito poderosa.

Não escutamos quase nada sobre serviços on-line da Nintendo durante a E3. Quais são os planos da companhia nessa área? O Nintendo Wii foi desenvolvido sobre três pilares: jogabilidade (a forma como o pad muda a experiência do jogador), conexão social (Miiverse) e entretenimento (parcerias com Netflix, Hulu, Amazon e YouTube). Os detalhes serão anunciados nos próximos meses, mas posso adiantar que o Wii U terá uma rede social: o Miiverse. A ideia é que os Miis (avatares da Nintendo) troquem informações, se comuniquem e descubram novos conteúdos. Quando o usuário ligar o console, ele vai enxergar uma interface repleta de ícones, como nos smartphones. Em torno de cada ícone, estarão os Miis. Quanto mais avatares em torno de um jogo ou aplicativo, maior a sua popularidade na comunidade. Será possível checar o que as pessoas estão falando sobre uma ferramenta ou game mesmo conectado ao jogo. Não será preciso sair do console e usar um computador para pedir dicas. O sistema será integrado. Por ora, a rede social só estará disponível no Wii U, mas em breve ela poderá ser acessada também através dos celulares, tablets e notebooks.

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