Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Apple deve continuar saudável sem Steve Jobs

Para analistas, eventuais turbulências na condução da companhia só devem surgir a longo prazo. Pequena queda no valor das ações é considerada normal

Por Carolina Guerra e James Della Valle - 6 out 2011, 12h59

A morte de Steve Jobs, anunciada nesta quarta-feira, não provocou abalos no mercado de tecnologia, tampouco nas ações da companhia que ele fundou em 1976 e que dirigiu com habilidade incomum. É exatamente o que os analistas haviam previsto. Nesta quinta-feira, o valor dos papéis da companhia na bolsa de Nova York caiu menos de 1%, mostrando que a empresa continua forte.

Para Martim Juacida, do IDC, grupo especializado em análise de mercado, a Apple deve seguir no rumo certo, desenhado por Jobs e seus colaboradores. Ao menos no curto prazo. “Empresas desse porte, como Apple, Microsoft e Google, têm equipes treinadas para manter o ritmo de desenvolvimento de seus projetos”, diz o especialista.

Eduardo Tude, presidente da consultoria em telecomunicações Teleco, concorda. Os eventuais problemas, pontua, podem vir a longo prazo. “A liderança de Jobs era fundamental para a Apple manter-se na vanguarda. Se seus sucessores conseguirão manter isso, só o tempo vai dizer.”

Há anos, Jobs dedicava muito tempo planejando a sucessão. É certo que ele tinha consciência de sua importância para a companhia e do vácuo que sua ausência provocaria. Em seu lugar, fica um grupo de executivos preparados, representados pela figura de Tim Cook.

Publicidade

“Cook tem muito a ver com o estilo de Jobs, que se tornou um ícone da inovação”, diz Marcelo Marzola, presidente da Predicta Consultoria. “Ele porém deve encontrar uma nova forma de liderar. E o mercado espera que ele consiga.”

Na primeira oportunidade, o time não foi tão bem. Na terça-feira, um dia antes da morte de Jobs, a companhia apresentou o iPhone 4S, uma atualização aprimorada da versão anterior. O mercado e os consumidores esperavam a nova geração do smartphone, o iPhone 5. Houve queda no valor das ações da companhia.

Na própria quarta-feira, contudo, os papéis já haviam recuperado o valor. E a queda registrada nesta quinta-feira, segundo os analistas, expressa apenas flutuações normais. É mais um indicador que a companhia, cujo valor de mercado ultrapassa os 350 bilhões de dólares, continua saudável.

Publicidade