Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Sarampo: perigoso retrocesso

Não é exagero atribuir também o problema a um fenômeno deflagrado nos EUA, que alcançou os europeus e felizmente ainda é tímido aqui: o movimento antivacina

Por Adriana Dias Lopes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 27 dez 2019, 14h51 - Publicado em 27 dez 2019, 06h00

É constrangedor, para dizer o mínimo, ter de admitir a volta do sarampo — doença que se supunha controlada não só no Brasil como no resto do mundo. Por aqui, os dados são vergonhosos: duas dezenas de mortes e quase 6 000 casos da enfermidade foram registrados ao longo de 2019, um aumento de 18% em relação a 2018. E, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de ocorrências no exterior quase triplicou de 2018 para cá, especialmente na Europa e nos Estados Unidos (e soa ainda mais espantoso tamanho retrocesso em países ricos). Transmitido por secreções, como a saliva, o sarampo tem alto poder contagioso. Seu vírus reduz a eficácia do sistema imunológico e deixa o organismo vulnerável a outras infecções. Quando a doença não é tratada rapidamente, cerca de 20% dos casos resultam em problemas graves — como pneumonia e danos neurológicos. Os efeitos são piores em crianças com menos de 5 anos, em pessoas desnutridas e, claro, naquelas com as defesas já fragilizadas.

A rigor, ninguém deveria estar falando de sarampo em pleno século XXI, e por um motivo simples: a existência de uma vacina eficaz. Criada nos anos 60, ela compõe a chamada tríplice viral, que protege ainda contra rubéola e caxumba. Uma única dose garante imunidade, ou seja, a produção de anticorpos, em 95% das pessoas. E, no entanto, deu-se um irresponsável recuo na cobertura vacinal. Isso se deveu, em parte, a um fator, digamos, psicológico — considerado um mal do passado, o sarampo deixou de ser, para muitos, objeto de cuidados. Mas não é exagero atribuir também o problema a um fenômeno deflagrado nos EUA, que alcançou os europeus e felizmente ainda é tímido aqui: o movimento antivacina, baseado na tese do gastroenterologista inglês Andrew Wakefield, que, em 1998, associou a vacina tríplice ao risco de autismo. Ele foi desmascarado, porém seus argumentos seguem contaminando mentes.

Publicado em VEJA de 1º de janeiro de 2020, edição nº 2667

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.