
Um estudo, publicados na revista Cell, nesta terça-feira 4, mostra o porquê as mulheres têm mais tendência a desenvolver a doença de Alzheimer. Segundo a pesquisa, tem a ver com os cérebros femininos possuírem maior quantidade de uma enzima ligada ao cromossomo X, chamada peptidase 11 (USP11), se comparados aos cérebros dos homens, com pares de cromossomos XY. Assim, o cérebro feminino tende a concentrar um maior acúmulo da proteína tau que, quando defeituosas, indicam o surgimento de estados de demência.
“Este estudo estabelece uma estrutura para identificar outros fatores ligados ao X, que podem conferir maior suscetibilidade à taupatia (classe de doenças neurodegenerativas caracterizadas pela proteína tau) em mulheres”, diz o coautor do estudo, David Kang, da Case Western Reserve University.
De acordo com a pesquisa, as mulheres são afligidas pela doença de Alzheimer aproximadamente duas vezes mais que os homens, com uma possível deposição de tau significativamente maior no cérebro. Os autores alertam, porém, que os modelos de camundongos com taupatia podem não capturar totalmente o dimorfismo de sexos como observado em humanos.
“Em termos de implicações, a boa notícia é que a USP11 é uma enzima, ou seja, pode ser inibida farmacologicamente”, afirma Kang. “Nossa esperança é desenvolver um medicamento que funcione dessa maneira, a fim de proteger as mulheres do maior risco de desenvolver a doença de Alzheimer”.