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Nova lei na Itália exige documento de saúde para as pessoas trabalharem

"Passe verde" deve ter prova de vacinação, teste negativo ou atestado de recuperação da Covid-19. Caso não possua, trabalhador não recebe e pode pagar multa

Por Simone Blanes 15 out 2021, 17h39

A Itália estabeleceu um novo padrão nesta sexta-feira, 15: toda a força de trabalho do país, pública ou privada, deve ter um certificado de saúde emitido pelo governo. Ou seja, qualquer trabalhador que não possuir o “passe verde”, como é chamado o documento, não poderá trabalhar em escritórios, escolas, hospitais e outros locais, e consequentemente, ficará sem salário. Os empregadores serão responsáveis ​​por verificar os certificados, que podem ser físicos ou digitais. Caso o funcionário não possua o documento, terá que cumprir uma licença por período indeterminado, sem remuneração e ainda corre o risco de ter que pagar uma multa de até 1.500 euros (cerca de R$ 9.497 ).

A nova medida, que exige a apresentação de uma prova de vacinação, teste negativo para Covid-19 ou atestado recente de recuperação da doença para obter a certidão, é mais um esforço do país no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Com ela, a Itália – a primeira nação democrática a ter cidades em quarentena e bloqueios nacionais no início da crise sanitária – torna-se novamente pioneira em atravessar um limiar, deixando claro que está disposta a usar a enorme influência do Estado para tentar conter a disseminação do vírus e manter sua economia funcionando.

Os Estados Unidos e outros países europeus já tentaram impor condições dessa natureza, mas mesmo mais brandas, foram duramente criticados. O presidente americano Joe Biden, por exemplo, fez um apelo para que as empresas privadas exigissem que seus funcionários se vacinassem. Isso porque os governos eleitos democraticamente procuram equilibrar as necessidades de saúde pública com as preocupações com a liberdade civil e as realidades políticas. O que, em muitos países ocidentais, acabou resultando na abstenção de leis mais rígidas e na busca por outras formas de encorajar, persuadir ou até mesmo coagir levemente as pessoas a serem imunizadas.

A China, onde mais de um bilhão de pessoas estão totalmente vacinadas, adotou postura bem mais enérgica em relação às vacinas. Em agosto, as autoridades de pelo menos doze cidades chinesas alertaram que pessoas não vacinadas poderiam ser punidas se fossem consideradas responsáveis ​​pela disseminação do novo coronavírus.

Na Itália, porém, a nova medida já gerou protestos já que mais de 80% das pessoas com mais de 12 anos completaram o esquema vacinal contra a Covid-19. Mesmo assim, o país vai manter a decisão pois colocando requisitos rígidos para profissionais de saúde e professores, conseguiram aumentar significativamente as taxas de imunização nessas categorias. E segundo o governo italiano, já está funcionando: mais de 500.000 pessoas, anteriormente relutantes, foram vacinadas desde o anúncio da nova lei no mês passado.

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