Mpox pode matar? Entenda riscos e letalidade da doença viral
Doença costuma ser autolimitada, mas variantes mais agressivas e grupos vulneráveis exigem atenção redobrada; Brasil contabiliza cerca de 90 casos em 2026
A mpox voltou ao radar da saúde pública. Só em 2026, o Brasil já registrou cerca de 90 casos confirmados da infecção, segundo o Ministério da Saúde, além de 171 notificações suspeitas em investigação. Diante dos números, surge a dúvida: afinal, a mpox pode levar à morte? Qual é a taxa de letalidade da doença?
De acordo com o Ministério da Saúde, o cenário atual no país não é considerado alarmante. Até o momento, os casos confirmados são classificados como leves ou moderados, sem registros de quadros graves ou óbitos. Ainda assim, especialistas reforçam que a gravidade da doença depende de fatores como a variante do vírus e as condições clínicas do paciente.
A letalidade varia conforme o clado
A mpox é causada por um vírus que possui diferentes variantes, chamadas de clados. O chamado clado 1 é considerado mais transmissível e mais grave do que o clado 2, que foi responsável pelo surto global de 2022.
Em surtos anteriores associados ao clado 1, a taxa de letalidade chegou a aproximadamente 10% — o que significa que, em determinados contextos, uma em cada dez pessoas infectadas pode evoluir para óbito.
Em setembro de 2023, foi identificada na República Democrática do Congo uma subvariante do clado 1, chamada clado 1B, descrita como ainda mais transmissível e potencialmente mais agressiva. Com base em dados prévios, estima-se que a taxa de letalidade dessa subvariante possa variar entre 3% e 10%, dependendo das condições do surto e do acesso à assistência em saúde.
Já o clado 2, responsável pela disseminação internacional da doença em 2022, apresentou taxas de letalidade significativamente menores, variando de 0,1% a 0,5%. Embora seja considerado menos letal, ele demonstrou alto potencial de espalhamento, especialmente em ambientes urbanos densamente povoados.
Quem corre maior risco?
Na maioria dos casos, a mpox é autolimitada: os sintomas costumam desaparecer espontaneamente em poucas semanas. A infecção geralmente provoca febre, mal-estar, linfonodos aumentados e lesões cutâneas características.
No entanto, alguns grupos apresentam maior risco de complicações. Entre eles estão pessoas imunocomprometidas, crianças e gestantes. Nesses públicos, a doença pode evoluir para quadros mais graves e com maior risco de complicações.
Conheça os sintomas
A infecção por mpox nem sempre provoca sintomas. Quando se manifesta, o quadro inicial costuma ser inespecífico e pode se confundir com outras viroses. Entre os sinais mais comuns estão febre, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares e cansaço.
A principal característica da doença, no entanto, é o surgimento de lesões na pele, geralmente descritas como bolhas ou pústulas. Em mais da metade dos casos, essa alteração cutânea aparece antes mesmo da febre, sendo o primeiro sinal perceptível da infecção.
É importante um alerta: embora imagens amplamente divulgadas mostrem pacientes com múltiplas lesões espalhadas pelo corpo, nem sempre o quadro é assim. Muitas pessoas apresentam apenas uma única lesão. Isso pode gerar dúvidas sobre a causa da alteração na pele e atrasar o diagnóstico. Diante de qualquer suspeita, a recomendação é procurar avaliação médica para orientação adequada.
Como é o tratamento?
Não há, até o momento, um tratamento específico aprovado para a mpox na maioria dos casos. A conduta é, em geral, de suporte: controle dos sintomas, manutenção de boa hidratação e alimentação adequada.
Também é orientado que a pessoa permaneça em casa até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas, reduzindo o risco de transmissão.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda ainda evitar coçar ou estourar as lesões. Além de facilitar a disseminação do vírus, a manipulação das bolhas pode abrir portas para infecções bacterianas secundárias.
Quadros graves ou sintomas persistentes podem exigir internação hospitalar para monitoramento e tratamento intensivo, com foco na prevenção de complicações. Pessoas imunocomprometidas — como aquelas com HIV não controlado ou em tratamento oncológico —, além de gestantes e crianças, são consideradas grupos de maior risco e devem redobrar a atenção diante de qualquer sinal de piora.





