Estresse causado pela pandemia afeta ciclo menstrual
Segundo estudo, mulheres com níveis mais altos de estresse por causa da pandemia são propensas a ter um período mais longo e sangramentos mais intensos

O estresse causado pela pandemia da Covid-19 não afetou apenas a saúde mental das pessoas. Em mulheres em idade reprodutiva ela influenciou também na menstruação. É o que mostra um estudo da Escola de Medicina Feinberg, da Universidade de Northwestern, que entre julho e agosto de 2020 analisou mais de 200 mulheres nos Estados Unidos e concluiu que mais da metade, cerca de 54%, teve mudanças em seu ciclo menstrual após o início da pandemia em março do ano passado.
Segundo a pesquisa, mulheres que experimentaram níveis mais altos de estresse eram mais propensas a ter um período mais longo e sangramentos mais intensos se comparadas às mulheres com níveis moderados de estresse. “Sabemos que esse estresse adicional pode impactar negativamente nossa saúde e bem-estar, mas para as mulheres que menstruam, também pode perturbar os padrões do ciclo normal e a saúde reprodutiva geral”, disse Nicole Woitowich, autora principal do estudo publicado nesta quarta-feira 28, no Journal of Women’s Health, e professora assistente de pesquisa de ciências sociais médicas na Escola de Medicina Feinberg, da Universidade de Northwestern.
Pesquisas anteriores também mostram que mulheres que sofrem de doenças psiquiátricas como ansiedade e depressão ou passam por situações traumáticas como acidentes, fome ou desastres naturais também apresentam irregularidades em seus ciclos menstruais. “Pela natureza sem precedentes da pandemia e seu impacto significativo na saúde mental, esses dados não são surpreendentes e confirmam muitos relatos anedóticos na imprensa popular e nas redes sociais”, afirmou Woitowich. Desde o início da pandemia, as mídias sociais são os principais meios em que as mulheres compartilham dúvidas e preocupações sobre seus ciclos menstruais. A abordagem pela comunidade de pesquisa biomédica, porém, é recente. “A saúde reprodutiva não deve ser ignorada no contexto do COVID-19”, disse Woitowich. “Já estamos vendo os efeitos em cascata do que acontece quando deixamos de considerar esta importante faceta da saúde da mulher, já que muitas agora estão experimentando irregularidades no ciclo menstrual”, acrescentou.