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Ervas e chás naturais trazem danos ao fígado

Produtos alternativos podem causar hepatite crônica e cirrose hepática

Por Natalia Cuminale Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 set 2011, 13h00 • Atualizado em 24 Maio 2016, 16h35
  • Ervas naturais usadas para tratar constipação intestinal, gastrite, hemorróida, e diminuir a retenção de líquidos, entre outros sintomas, podem trazer complicações sérias ao fígado de quem as utiliza, como hepatite crônica e cirrose hepática. Embora não exista uma pesquisa sobre o tema, segundo Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, houve um aumento no número de casos de pacientes que procuram centros de hepatologia por causa da intoxicação do fígado, causado tanto por medicamentos alopatas como também por ervas e chás.

    O que dizem as pesquisas

    Estudos recentes mostram os riscos

    1. • O uso de ervas medicinais pode enfraquecer ou até potencializar o efeito do medicamento quimioterápico, podendo trazer consequências letais em alguns casos.
    2. • Uma em cada dez crianças americanas recebe ervas – não autorizadas pela agência reguladora americana FDA – em seu primeiro ano de vida para combater a cólica e ajudar na digestão.
    3. • Plantas populares como a erva de São João não são boas combinações para pacientes que tomam medicamentos para o coração. Elas podem ser perigosas para quem toma remédios para hipertensão, estatina, e remédios que afinam o sangue.

    Ele chama a atenção para um levantamento realizado por hepatologistas que mostrou que há no país mais de 170 práticas alternativas sem comprovação científica – as conclusões dos médicos foram encaminhadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e ao Ministério da Saúde. “Levantamos a literatura médica para ver o que havia de evidência científica. E o fato é que falta embasamento”, diz Paraná. Em geral, esses medicamentos carecem de estudos científicos fase I, II e III, quando são testados em seres humanos – mostrando apenas resultados positivos em testes com animais.

    As plantas são uma das mais antigas formas de prática medicinal da humanidade, presentes na cultura africana e na cultura indígena. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimula países a estabelecerem políticas para medicamentos fitoterápicos e plantas medicinais, com o objetivo de que eles utilizem recursos naturais disponíveis em seus próprios territórios com finalidade de tratamento, cura e prevenção.

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    Vendidas como uma alternativa natural e menos tóxica que os tratamentos convencionais, as ervas passam a falsa impressão de que são todas inofensivas à saúde. “Em geral, a parte da população acha que a medicação alternativa não faz mal nenhum. O fato é que algumas plantas podem causar uma doença hepática grave e, se associadas a algum tipo de medicamento, podem diminuir a ação de outras drogas”, explica Aécio Meirelles, hepatologista da Universidade Federal de Juiz de Fora e pesquisador da área de doenças hepáticas induzidas por medicamentos.

    Entre as ervas que podem trazer consequências, os especialistas citaram: sacaca (Croton cajucara benth), kava-kava (Piper methysticum) e erva-de-São-João(Hypericum perforatum). Meirelles explica que o problema das plantas é que não se sabe exatamente de onde vem a parte que causa problema – pode vir da folha, do caule da raiz ou até do próprio preparo. Em alguns casos, as pessoas misturam mais de uma erva em um só chá, fazendo com que fique ainda mais difícil descobrir a origem do problema.

    Paraná acredita que o Conselho Federal de Medicina deveria ser mais ativo em relação a práticas não comprovadas. Em alguns locais, chás e ervas são vendidos clandestinamente em bancas comercializadas em saquinhos ou garrafadas. Segundo a Anvisa, as embalagens desses produtos deverão conter, dentre outras informações, o nome, CNPJ e endereço do fabricante, número do lote, datas de fabricação e validade, alegações terapêuticas comprovadas com base no uso tradicional, precauções e contra indicações de uso, além de advertências específicas para cada caso.

    Segundo os especialistas, é importante que o paciente não omita do médico que está usando a medicina alternativa, para não prejudicar o tratamento em curso e também para evitar consequências no futuro. “Não acho que precisamos acabar com a medicina alternativa, mas temos que ter mais cautela ao aprovar e utilizar esses produtos”, diz Meirelles.

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    Antes de tomar:

    – Consulte seu médico sobre as possíveis interações com outros medicamentos

    – Procure pesquisas científicas confiáveis sobre o uso de ervas e plantas medicinais

    – Verifique se a embalagem possui data de fabricação e validade, precauções de uso e advertências

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    Cuidado em dobro se:

    – Estiver grávida ou amamentando

    – Está prestes a fazer ou fez uma cirurgia recentemente

    – Tem menos de 18 anos ou mais de 65 anos

    – Está fazendo um tratamento com remédios controlados

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